quarta-feira, 18 de dezembro de 2013


E era assim, já, este lugar. Intuindo a chegada então distante, embora prevista no que se conhece sem saber como, mas como certezas gravadas no olhar. Junto, olhando nas janelas e sons e cores à meia luz. Até ser verdade, toalhas e pratos, taças e filmes. Frames em ímas de geladeira para ainda virarem cinema. São pulsação e vida real.
 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013


Do colo, nos seus mais ou menos 50 cm de existência, ela sorriu tanto pra mim, mas tanto, que pudemos conversar por aí.

domingo, 8 de dezembro de 2013


O espetáculo existindo ao vivo, e tenho a impressão de que a maioria dos pais e amigos prefere ver pela telinha dos seus celulares e tablets, filmando cada segundo para ter certeza de que não deixarão de registrar aquilo que acabaram por não assistir.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


e quando no jardim de flores plantadas há algum tempo, quando no jardim há uma flor-outra, nascida agora-quase, olhamos para ver que é a flor-mesma, será a flor-sempre, maturada-nova, e espelhamos recados, espalhamos os olhos sem vê-los mas sabendo-os, percorremos quilômetros por dentro dos caules-pétalas-nós, visitamos os sonos, refazemos imagens, chamamos quietos. E assim fazemos som, até que a flor-ess'aquela tome de volta seu lugar de ser.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013


Buracos, gentetesouro, investigação, olhos, encontros e a presença constante. Meus sonhos bagunçando as madrugadas.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Há pouco. Os olhos grandes, um pouco maiores do que seriam para o rosto dela. Os braços muito finos e os pés um pouco virados para dentro. Um corpo solto, quase mole, tentando se segurar nas pernas do pai. Pequeno sorriso apontado o tempo todo. O carinho que ele fazia nela tomava seu rosto todo. Ela retribuía com a mão que procurava o rosto dele, às vezes um tapa leve procurando controle. Era um elo visível na transparência, profundo, troca de amor. Desceram algumas estações depois. O pequeno sorriso, a mão querendo alcançar, eu espectadora. Foram por aí, cuidando-se.

Embrulhos desvelados, chamadas. Nos damos de presente aqui e ali em toques curtos, profundos, agudos, que se realojam num canto de dentro, um dia e mais outro dia, fazem casa que move um pouco de lado, um pouco de ponta cabeça, um pouco porta ou janela, e moram. Virtualidades dizendo que o ar, aquele, é o mesmo cá e lá. Ouvimos as vozes mútuas e mudas que conversam intermitentes. Procuramos nas estações, nos vagões, nas cidades escondidas. Viajamos. Irreal é não entender. Se a ida não vai, é porque quer presença.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

incompleta como assim não pavimentada
imprevisível incerta à espreita
fusões no tempo fusões
desord-em-nós
estrada

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um disse que a gente não tinha coragem de pegar em armas, bando de covardes. O outro, de cócoras sobre uma trouxa no centro da roda, cantava em looping algo como "o (R)rei é R(r)ei" do modo mais inconscientemente irônico possível. Mais um, e este apontou para o prédio fechado no feriado e disse que o moço Kassab (!!) não estava ouvindo a gente, tínhamos que falar mais alto. Entre outros, curiosos, passantes, personagens. Reunião. Assembleia. Cena. Viva os bêbados e suas (re)composições.


Sonhei que aí era aqui, como se lá.

domingo, 27 de outubro de 2013

Sugestões de desejos, flor-escimentos, distâncias ou iminências. Ou, e, ou. Trilhas são estradas, sons, goles tintos. Músicas. Silêncios. Dizeres.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Eu quero ouvir uma história. Sobre uma vez que eu mergulhei tão fundo, mas tão fundo, que passei a morar ali pra sempre. Não eu inteira. Só a parte maior de mim, aquela invisível, aquela que eu esquecia todos os dias, na verdade, por não saber dizer qual era o endereço dela.
(para Dark Room / iN SAiO Cia. de Arte)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

E eu disse meu nome. Minha cor de dentro. Contei meu último sonho, e o penúltimo, e o primeiro. Faz algum tempo, desse tempo que não sabe de si próprio, esquece de ser, e é como já mesmo que antes, mesmo que futuro, mesmo que sempre.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013


"Eu que não durmo, por não dormir já não sonho."
Tempo que não é. Que não tem. Suprimido nas horas metamorfoseadas em minutos nada cronológicos. Algum estado (delicioso) de imersão. Fui escrevendo com os olhos - abertos, muito - em meio a poltronas, telas, músicas, pipocas, lençóis, vinho, vocês gigantes e este espaço que está além da cena. Ou profundamente dentro dela. Frente às ironias todas, humanas tanto, experiência meu-corpo seu-corpo, sua-cena meu-nosso-lugar-de-estar. Fui, pela hora imposta pelo metrô. Busquei o carro, voltei, necessidade. Encontrada, num despojamento sagrado cheio de lembrança, prazer e mergulho. Eu agradeço, desejaria horas a mais sem sono, sem ar, tantas.
Vigília.
Cássio Pires, Carlos Canhameiro, Daniel Gonzalez, André Capuano, Tetembua Dandara.
   

terça-feira, 17 de setembro de 2013


Eu fui me buscar no fundo de um sonho. Estou relevo em outras linhas. Estou relevo fora daqui.
(para Dark Room | iN SAiO Cia. de Arte)
   

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

     
Hoje ele falou sobre a "mãe de umbigo". Eu, caipira da cidade grande, nunca tinha ouvido esse nome; quando soube o significado imediatamente achei ser uma das coisas mais bonitas que já imaginei. Era a parteira que o ajudou a nascer há quase 70 anos, e era cega, cega que fazia dar à luz. E ele, moleque, cada vez que ia visitar a casa dela, era tocado dos pés à cabeça, jeito pra ela saber de que tamanho estava a criança. Parece que vinha sempre com uma frase como "nossa, o menino tá grande, tá crescido". Mãe, e de umbigo; umbigo, essa coisa que toca tão dentro, tão alimento, tão origem, tão ligação com o nó que pra sempre amarra a gente no mundo.
- história do Severino, que também conta que chorou na barriga da mãe antes mesmo de nascer.
    

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

 
Andava aqui dentro de mim
procurava espaço, cavava dentro de mim
torcia os caminhos dentro de mim
espiava pra fora e voltava
lambia resíduos dentro de mim
cutucava os pedaços
farejava dentro de mim os toques e as partes
me levava para olhar as luzes da janela
só de passagem, só pra buscar
as cores acesas no escuro
aquilo aqui dentro de mim
era a saudade.

 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013


Solidão. Guardei. E então. Fluxo contínuo passo que não pára os passos não param redondo corrente ar música vem atrás de mim é caminho caminho passadas de ar braços pelas trajetórias de quem não sei quem é tem braços rasgando mergulhos que não terminam de construir espaços de cuidado "talvez no tempo da delicadeza".
(para Dark Room | iN SAiO Cia. de Arte)
    

quinta-feira, 1 de agosto de 2013


Quando eu olho pra você, vejo a mim no que eu, embora não possa ser, sou.

(para Dark Room | iN SAiO Cia. de Arte)
  

quinta-feira, 25 de julho de 2013

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dos traços
Pintou nela um corpo de traços móveis
Caminhou por ele em passos de cores fortes
Atravessaram-se
Viveram-se por dentro
Os cheiros construíram castelos
Instalaram-se em tons de azul, um tanto de mar, um tanto de susto
Risco vermelho
Há uma tela branca
É tanto que não sabe.
  

segunda-feira, 22 de julho de 2013


A vida vai fundo.
 
 
É que tem um cheiro entre pele e fumaça que acompanha os instantes permanentes. O gosto atravessa, mesmo memória, e a textura das intuições a mais, e mais. Azul que constrói caminho, presença não descola, e refaz os caminhos, e refaço os caminhos e vejo as esquinas e portas e janelas abertas e fechadas e cores das tintas pintadas ou ainda não. Voz. Encontro, esse, mesmo, é coisa que fica.
 

quarta-feira, 12 de junho de 2013


Porque o que se passa por dentro dos dias é mais do que o nome que se dá para eles.
 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

#3
As estradas se tocam sempre, tangentes; fazem curvas durante o sono, fundem-se no tempo, encontram.

#2
Hoje a presença se impõe com trilha sonora, gosto tinto e nome de poeta.

#1
É, (h)a saudade.
 
   

sábado, 13 de abril de 2013

um pouco mais desenvolvido:

"MENORIDADE" PENAL

"Se não vejo na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes, e o que vejo é o que sobrou de tudo o que lhe foi tirado." 
(Herbert de Souza)

Reduzir a maioridade penal? Ah, sim, para 16 anos. Depois para 14. Depois para 12, ou 10, ou 8, talvez? Sim, porque quando aparecer na mídia o primeiro crime grave cometido por uma criança (o que não será difícil, dado o mundo que se preocupa cada vez menos com a integridade humana), as redes "sociais" vão explodir em manifestos indignados cheios de retórica a favor de uma "menoridade" penal cada vez mais infantil.

Essa opinião não é uma espécie de apologia ao crime, ou ao criminoso, ou qualquer coisa assim. Assassinato é sério, é revoltante, causa indignação, causa desespero, não tem volta. Mas essa campanha pela redução da maioridade penal soa reacionária, estagnada e assusta. Porque, se o crime existe, vai ser solução pra alguma coisa enfiar todos os criminosos nas mesmas cadeias (coisa que já se faz há séculos), quem sabe armar a população inteira, não avaliar absolutamente nada, não rever nenhum modo de funcionamento do sistema social, como se isso significasse algum tipo de mudança e como se alterasse algo na dinâmica da criminalidade?

Há uma diferença muito grande entre ser contra a diminuição da maioridade penal e ser contra alguma medida com relação a jovens criminosos. Mas que medidas são essas? Se a "ameaça da cadeia" prevenisse o crime, não haveria criminalidade a partir dos 18 anos. Até porque, antes dos 18 anos há, sim, medidas inclusive de reclusão (embora chamadas de outra forma - "internações"). Mas essas medidas parecem tão equivocadas e falhas quanto o sistema penitenciário comum. Não há efetivamente preocupação com uma formação educacional, ou com o trabalho, ou estudos, ou acompanhamento psicológico, para que alguma coisa seja diferente na vida de um cidadão que ficou recluso - seja ele da idade que for.

Diminuir a maioridade penal significa que jovens a partir de 16 anos que cometem crimes passam a habitar a cadeia do mesmo modo que todos os demais detentos do país, e nas mesmas condições. No sistema penitenciário brasileiro, as cadeias são grandes escolas de bandidagem: não há a menor preocupação em fazer da detenção alguma espécie de espaço de reabilitação. Sendo assim, o que muda efetivamente se aumentarmos o (já há muito extremamente saturado) contingente de população nas cadeias? Como vão sair de lá esses jovens depois do cumprimento de suas penas, seja por um, dez ou vinte anos?

"Parece" que o crime não é estimulado pela idade em que se baseia a maioridade penal... As razões são "um pouco" mais sérias, mais profundas, mais antigas e bem mais difíceis de serem resolvidas, não? Porque não se fala em discutir sobre violência, de fato? Em trabalhar a favor da construção de uma sociedade em modificação, de fato? O que acontece? Reforçamos o discurso malufista (que, aliás, segue aparecendo na televisão) a favor da rota na rua e outras aberrações? Logo mais voltam os manifestos histéricos a favor da pena de morte.

O que é claro é perceber que a cultura da punição (esvaziada de um trabalho sério de reeducação) aparece de modo muito mais enfático do que a possibilidade de prevenção do crime e da violência. No entanto, esse outro modo de pensar esbarra na necessidade urgente de uma mobilização intensa e profunda nos modos de funcionamento de todo um sistema (aí, estão incluídas medidas reais voltadas à educação, saúde, igualdade social, num buraco que é bem mais embaixo) e, com relação à detenção, possibilitar novos modelos educacionais que possibilitem efetivamente a reabilitação dos detentos, jovens ou não.

São opiniões que buscam desencadear debates. A criminalidade (junto ao aspecto específico da redução ou não da maioridade penal) está intimamente ligada à sociedade capitalista e desigual em que vivemos, de onde emergem as principais causas da violência.

No mundo de justiça absolutamente questionável que habitamos e mantemos, sabemos bem para quem as penas mais severas se aplicarão, e com quais critérios. Sintomas de um planeta em guerra, que reforça a guerra, que estimula a guerra, em todos os níveis. Que sério, isso.
   

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Reduzir a maioridade penal? Ah, sim, para 16 anos. Depois para 14. Depois para 12, ou 10, ou 8, talvez? Sim, porque quando aparecer na mídia o primeiro crime grave cometido por uma criança (o que não será difícil, dado o mundo que se preocupa cada vez menos com a integridade humana), as redes "sociais" vão explodir em manifestos indignados cheios de retórica a favor de uma "menoridade" penal cada vez mais infantil. Isso não é uma espécie de apologia ao crime, ou ao criminoso, ou qualquer coisa assim. Assassinato é sério, é revoltante, causa indignação, causa desespero, não tem volta. Mas essa campanha me soa reacionária, estagnada e me assusta. Porque, se o crime existe, vai ser solução pra alguma coisa enfiar todos os criminosos nas mesmas cadeias (coisa que já se faz há séculos), quem sabe armar a população inteira, não avaliar absolutamente nada, não rever nenhum modo de funcionamento do sistema social, como se isso significasse algum tipo de mudança e como se alterasse alguma coisa na dinâmica da criminalidade? "Desconfio" que o crime não é estimulado pela idade em que se baseia a maioridade penal... Me parece que as razões são "um pouco" mais sérias, mais profundas, mais antigas e bem mais difíceis de serem resolvidas, não? Por que não se fala em discutir sobre violência, de fato? Em trabalhar a favor da construção de uma sociedade em modificação, de fato? O que acontece? Reforçamos o discurso malufista (que, aliás, segue aparecendo na televisão) a favor da rota na rua e outras aberrações? Logo mais voltam os manifestos histéricos a favor da pena de morte. E no mundo de justiça absolutamente questionável que habitamos e mantemos, sabemos bem para quem as penas mais severas se aplicarão, e com quais critérios. Eu só penso que vivemos em um planeta em guerra, que reforça a guerra, que estimula a guerra, em todos os níveis. Que sério, isso.
   

sexta-feira, 29 de março de 2013


OUVIR A DANÇA

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
(José Saramago em "Ensaio sobre a cegueira")

Certa vez estava na plateia de um espetáculo de dança e comecei a ouvir que alguém do público, na primeira fileira, não parava de falar. Sussurro insistente, som o tempo todo. Eu já prestes a ficar irritada, quase indo pedir silêncio, mas era um espaço alternativo, pequeno, e qualquer movimentação minha chamaria mais atenção do que a conversa. O espetáculo terminou e olhei mais para perto para ver quem conversava: uma mulher ao lado de um homem... cego. Ele levantou-se e agradeceu a ela por ter narrado todo o espetáculo. Não se conheciam, ele provavelmente pediu esse favor à primeira pessoa que encontrou quando entrou no teatro.
Fiquei quieta por instantes. Eu não sabia que era isso que estava acontecendo, mas foi inevitável sentir uma ponta de mal-estar por ter me irritado com algo tão sensível.
O que ele viu no interior dos olhos cegos? Lembro-me de ouvi-lo dizer à "narradora": "Muito obrigado, entendi tudo direitinho". E comecei a pensar na possibilidade dessa dança imaginada, recriada, recomposta. Que elementos do palco chegavam diretamente a este homem? Trilha sonora. Calor. Talvez nuances de luz mais fortes, mais fracas, mais escuras ou luminosas. Talvez vultos, ou sombras. Talvez nem isso, nenhuma referência visual. Talvez alguns sons vindos do deslocamento dos corpos dos bailarinos. E frases pronunciadas por alguém que não é especialista em narrar situações a cegos, mas que foi pega de surpresa para descrever a ele, em volume baixo e tempo real, os desenhos criados por três pessoas em cena, num espetáculo absolutamente subjetivo onde qualquer relação concreta seria pura interpretação dos olhos de quem... vê...

Nuve (João Martinho Moura)
Que desenhos em movimento este homem terá criado num imaginário sensível?
Fui embora pensando na contradição bonita que se criava naquela situação: dança é arte que se constrói a partir da visualidade do movimento no espaço, e tudo o que se cria, significa e desenvolve a partir daí. Mas ali dança havia sido percepção, narrativa e imaginário.
A cegueira atravessou a cena. O homem provavelmente viu um espetáculo só dele, um espetáculo outro, algo que contém e/ou está contido no espetáculo que foi visto por todo o restante da plateia. Reforça-se a ideia de que a dimensão de qualquer criação está além do que se prevê, ou se vê, literalmente.
Se em qualquer obra o ponto de vista do espectador é elemento participante na construção daquilo que se assiste, ali essa relação acontecia com potência inquestionável. Ambos foram co-autores, coreografaram por cima da coreografia pronta como desenhos sobrepostos uns aos outros, camadas de olhares (sejam estes videntes ou cegos), camadas de percepção, camadas de interpretação.
Mergulho profundo num diálogo entre interior e exterior. A dança se redesenhou no pensamento. Lá ela foi outra, ímpar, pelo lado de dentro.

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escrito para a REVISTA VERNÁCULO/ 2a Edição/ março de 2013 (publicação virtual realizada pelo CEU Alvarenga)

domingo, 17 de março de 2013


E passa

Esgarça-se no espaço.
Materializa-se como rastro em qualquer direção.
É vulto.
Voa.
Treme.
Fura.
Invade.
Arrasta.
Faz.
E passa.
   

quinta-feira, 14 de março de 2013

Abraços de repente. Bom-dias sonados. Enérgicos. Sons a milhão, pra parecer que não há o que fazer além de enlouquecer. Lágrimas por carência, ou doçura, ou reconhecimento de um mundo que se constrói. Jeitos para descobrir, errar, refazer. Pequenos. Explosivos. Saber que tem osso, espaço, pele. Histórias reais. Aproximação. Instabilidade. Surpresas. Afeto. Relações que começam.
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Façamos assim. Você pega o meu amor e guarda num pote de vidro translúcido. Carrega até um ponto o mais alto possível. E lança no espaço. Para que exploda em fagulhas esparsas, em massas condensadas, em constelações. Lança no espaço. Mas leva, porque de tanto tentar caber ele já é combustão.
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Há quase quatro anos, Capão Redondo e padaria praticamente toda manhã. Durante os meses um dos donos, um senhor, sabia onde eu trabalhava, o que fazia, horários, tentava flertes, oferecia cafés. Mudanças de trabalho e não estive mais no Capão. Agora é 2013 e por acaso volto quase ao mesmo endereço. Hoje, a padaria no caminho. Entro, peço, ele me vê: "Cristina?". Assim, pelo nome. Assim, memória.
   

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


QUE DANÇA É ESSA?

A dança é a essência e o mistério. Do diálogo do corpo com o espaço, surge a transformação.
 (RENÉE GUMIEL, dançarina, 1913-2006)

Primeira edição desta revista, primeira conversa sobre dança por aqui. Penso nas ideias que surgem quando falamos sobre esta forma de expressão, a dança: corpo, movimento e espaço. E a partir daí temos no nosso imaginário algumas das inúmeras modalidades que conhecemos, como dança de rua, maracatu, balé, frevo, jazz, tango, samba, forró, funk, salsa, afro, pop e uma quantidade tão grande de muitas outras que mal seria possível listar todas por aqui, considerando as manifestações que acontecem no mundo todo. Então, escolhi falar um pouco sobre a dança contemporânea. Esse termo que soa esquisito, que tanta gente nunca ouviu falar e que, quando aparece, muitas vezes deixa um rastro de... “mas o que é isso”?
Vale começar dizendo que a origem da dança como expressão se mistura com a origem do próprio homem. O homem pré-histórico já se manifestava por meio do corpo e de suas movimentações. Hoje conhecemos a dança, na maior parte das vezes, associada ao formato de um espetáculo destinado a um público que assiste a um grupo de artistas (seja dentro de um teatro, na rua ou em qualquer outro espaço). Mas, há muito tempo atrás, o objetivo do homem ao dançar não era exatamente o de se apresentar ao público. Inicialmente a dança era absolutamente parte da vida e de suas necessidades, em rituais e festividades dos mais diversos tipos. De lá pra cá muita coisa aconteceu (estamos falando de milhares de anos...), mas se pesquisarmos as expressões de qualquer época veremos que, na maioria das vezes, as artes refletem o que uma sociedade está vivendo em determinado período, suas necessidades, comemorações, angústias, lutas, crenças, modos de vida, paixões. Quando começamos a perceber isso, entendemos que a arte pode ter uma relação muito grande com a nossa própria vida.
Pensando nisso, e levando em consideração que “contemporâneo” é aquilo que é atual, do momento presente, podemos dizer que é contemporânea toda forma de arte que, de alguma maneira, se relaciona com o momento que vivemos hoje. Por isso o que chamamos de “dança contemporânea” é algo tão múltiplo. Porque, mais do que um conjunto de formas e modos de fazer sempre reconhecíveis, a dança contemporânea trabalha com abertura para pesquisa e investigação. Seja a investigação do próprio movimento, seja de tudo o que pode estar em torno dele. Há espaço para a relação entre muitos elementos que, juntos, podem expressar aquilo que deseja o artista de hoje. E para isso pode ser preciso descobrir movimentações novas, usar muitos tipos de referências e técnicas anteriores, reconhecer o corpo das mais diversas maneiras, rever e ampliar os padrões sobre os corpos que dançam, criar e recriar suas próprias técnicas, experimentar novos espaços e novas relações com a platéia, fundir teatro, artes visuais, vida real, música, poética, política, histórias. Tudo isso será possível (e outras vontades mais) de acordo com o caminho que se deseja para cada experiência e criação. Isso faz com que a definição de dança contemporânea seja móvel, mutável. O que guia o seu desejo? O que expressa a sua dança? Para onde ela pode ir? Qual o seu interesse como artista? Essas talvez possam ser algumas perguntas que o artista contemporâneo, direta ou indiretamente, acaba fazendo antes, durante e/ou depois de cada escolha artística. Porque criar é uma mistura entre intuir, pensar, experimentar, descartar, refazer, escolher, sentir, não necessariamente nesta ordem.
Hoje, quando trabalhamos com dança contemporânea, somos também reflexo de tudo o que a dança já viveu, já criou e já modificou antes de nós. Desde os homens das cavernas, que dançavam nos seus rituais de vida, até hoje, muitas pessoas estiveram envolvidas com as possibilidades do corpo e foram construindo uma história. Criar é tanto um ato de invenção e reflexão do novo, quanto uma ação que traz consigo uma história que começou há milênios atrás. E, hoje, muitas pessoas continuam desenhando esses caminhos, ou como artistas profissionais, ou amadores, ou se divertindo, ou pelos movimentos próprios da vida e da história de cada um. Por isso, quando ouvimos falar sobre bailarinos e coreógrafos importantes, não podemos esquecer que eles não são os únicos responsáveis por toda essa história. Bilhões de pessoas dançaram e dançam no mundo inteiro desde sempre, e a grande maioria delas nunca ficou registrada em livros ou outras fontes de pesquisa. Qualquer um de nós, hoje, dançando nas mais diversas situações, é também participante nesse processo.
E que dança é essa, contemporânea, afinal? Talvez uma dança de possibilidades e investigações. Não teria aqui a pretensão de defini-la. Ainda é um conceito em construção, aberto e cheio de possibilidades, como são as suas muitas (e diferentes) criações.

Crédito das imagens:
1. Foto: Diogo Henrique Pasquim
2. A dança, Henri Matisse
 
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escrito para a REVISTA VERNÁCULO / 1a Edição / fevereiro de 2013 (publicação virtual realizada pelo CEU Alvarenga: http://culturaceualvarenga.wix.com)
  

domingo, 17 de fevereiro de 2013


Já tinha olheiras sutis apontando, já sorria mais alto do lado direito do que do esquerdo, já se desconcertava um pouco na frente da câmera, já era vontades versus timidez. A foto expressa há mais de dois anos aparece e reverbera tanto. Muitas e belas reações; bom rever a imagem do passado reconhecendo quem sou agora; recuperar um tanto dessa menininha cá dentro e vislumbrar algo dela nos desdobramentos e múltiplos de mim que virão.
   

sábado, 9 de fevereiro de 2013

essediadehoje
dessavezpelasegundavez
nãoprecisafototextoàdistância
porqueperto
brilhemgrandesolhinhospequenos
todoanosempre
 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

#3
pelos estranhos espaços por onde entram as vontades.

#2
Mais perto. Um pouco mais.

#1
Um salto. Suspensão no ponto, no topo.
 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Aí eu me preparo e ele sobe nas minhas costas e o menino que nos acompanhava desde a primeira cena esbraveja; você tá louco, cara, bater em mulher?
 
Hoje o dia começou com angústia cor de fogo.
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

Ontem me conheceram por acaso, em ensaio de movimento no meio do espaço. Têm uns 5 ou 6 anos. Chegaram escolhendo que eram minhas amigas. Olharam, perguntaram, ajudaram. Dançaram junto como brincadeira. Roubaram a cena, como podia ser. Ficaram até o fim e terminaram a noite com abraço apertado de tanto carinho que. Assim, indefiníveis como são as crianças.
 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Foi bom, foi giro, foi queda, foi jogo, foi pele, foi música, foi vidro, foi cheio de volume, de gente, de encontro, de prazer, de força, de dança.