segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Às vezes partes de mim se hospedam no lugar do frio.
É quando o tempo existe diferente.
O tempo é só um dos modos de ver.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Escondido. Antigo. Passeava pelos corredores do interior como as lembranças. Tinha os mesmos olhos, mas outros tons no verbo de olhar. Tinha as mesmas vozes, as mais de umas e outras, mas outras poucas palavras. Pertencia ao universo eterno das sensações perenes: aos pleonasmos. Sustos esperados. Listas paralelas em direção a imagem alguma. Rampa abaixo e o tempo se dissolveu.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

o que há por dentro grita e esgarça ~ range sorri ironiza ~ é de sangue e suave cor ~ não tem matéria ~ implode-nos em sensação e imagens ~ existe como o tempo ~ presente, passado e desconhecidos, todos ~ mergulha-nos em torno de todas as mesmas diferenças ~ ária.
Há o salto. Parece estar na nova vida.

(por um filme, sua beleza terrível e quase insuportável dor)

sábado, 15 de agosto de 2009

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ESTRÉIA: ARENA
grupo Danceato
direção geral: Ana Bottosso
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dia 16 de agosto, domingo, às 16h
na Plataforma Estado de Dança
(Teatro Itália; TD - Teatro de Dança - Av. Ipiranga, 344)
ingressos: R$ 4,00 / R$ 2,00
classificação etária: 16 anos

video

sábado, 8 de agosto de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

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.....de vidas e mortes.....
Poucas notas esparsas, chamada de um minuto no jornal. Tão menos do que... Tão tão tão menos... As novas operações da bolsa, e não as vidas anônimas mais uma vez perdidas na água. E aquela vida, a dela, Pina. Susto. Susto. Espaço. As energias criadas, os corpos, cabelos, imagens, movimentos, idéias, experiências, cigarros, vídeos, processos, boatos, mitos, não-mitos, lágrimas, quedas, pessoas, histórias. Perda. Água, terra, fogo, ar, café, cadeiras. Ela não entra mais em cena, uma menina sobreviveu, talvez se não soubesse da doença, talvez outras coisas, e se o avião, e se o tempo passasse mais devagar, e se algumas pessoas fossem eternas, e se as tragédias não existissem, e se pudéssemos ter todas as escolhas. Se, não sei o que seria. Fica a falta.
   

sábado, 13 de junho de 2009

Inconclusa. Rastros e datas. Palavras pro tempo que foi. Ditas. Adivinhadas. O tempo futuro da pequena nova criatura, qual será? Esperava. Procuro o retorno. Dos cinco sentidos, pouco permanece. Fica o sexto, incógnito, aqui, contido impulso, febre fria, muda, amarrada por si.

sábado, 6 de junho de 2009

sempre, nunca sabe por onde caminhar, ou pensa que. todas as certezas pelos menores espaços de tempo. muda em instante imediato e desaba nos vãos sem fim, circulares, fundos, invisíveis e sensíveis a qualquer toque. receia espaços escondidos, mas receia ainda mais que não existam. e se...? experimenta, não conclui. recupera o que dizia o corpo de um pouco atrás. ouve pequenas mordidas de lembranças mútuas. pulsa tintas. e tintos. dedica-lhe o tempo do pensamento e da lembrança, de perto querer longe, de longe querer perto, de sonho palpável e projeção. escreve diários internos que relê transparente. representa sorriso esganiçado no espaço dedicado a isso, e não diz o quanto a mentira composta traz de si com atropelo. quando pensa que a implosão fará dela farelos de expectativas, expulsa-se, para que retorne.


domingo, 3 de maio de 2009

Espaço rasgado, esgarçado, por nada Buraco que não sara Respiro apertado, tanto espaço vazio pra tão pouco espaço Fundição Implosão Des-entendimento-próprio Sorrisos tortos Abraços necessários Nada que se compreenda Tudo que se confunda Que te confunda Que sempre confunda E os nomes que preferimos não escutar Que seja preciso estar perto Sem saber de coisa alguma.

terça-feira, 24 de março de 2009

...e essa linha fina, tão fina, que é... ser...

linha presente... ausente... viva... fina...

segunda-feira, 9 de março de 2009

É que ali ele era metade, e só. Antes dizia que não, como se a entrega que gostava de citar estivesse presente nos olhos dos dois. E apesar da véspera, e da véspera dos outros dias, e das surpresas e conquistas, resolveu ser metade. O restante entregou para preparar a lista das novas possibilidades. Julgou-a parede sem humanidade e sem presença? As circunstâncias fariam dela alguém invisível e ausente? Ela sentindo-se pequena como há muito não era. Não pelas regras, sim pelo patético inexplicável de tudo. Como, normal? Ela jogou a resposta para falas repetidas, procurou amansar a mágoa, a estranheza. As palavras procuram criar o espaço que falta na garganta fechada.

sábado, 7 de março de 2009

 
esse peso - esse tempo - esse sim e não - esses eus - e as vontades - e as noites - e os líquidos brancos, vermelhos, sem cor - essas e aquelas imagens - esses com e sem cheiros - esses recados outros, alheios - a garganta, pulmões e a fumaça - esses tantos pavores - e as outras reações - os olhares de fora - os olhos de dentro
e esse aperto que insiste em não respirar.
     

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


Semáforo vermelho - e verde. Cruzamento e, lentos, os carros recomeçam. Conversa despretensiosa. Ali na frente, abre-se a porta do passageiro. O carro em movimento, os carros, esse e aquele e os outros.

A mulher desce ou cai ou se joga ou foge ou é jogada ou desmaia ou escapa. Os instantes milimétricos e a imagem fotografada que começa de baixo, sobre e volta a descer, os braços um pouco pra cima, o corpo em movimento sinuoso, amolecido em direção ao chão. E seguem os segundos eternos sem movimento. O corpo ali, deitado no chão ao lado da porta aberta com a cabeça de lado, as pernas dobradas quase confortáveis e a imagem que começa de baixo, sobre e volta a descer, os braços um pouco pra cima, o corpo em movimento sinuoso, amolecido em direção ao chão. E seguem os segundos eternos sem movimento. O corpo ali e a imagem que ecoa a sei-lá-quantos anos-luz de velocidade, porque em tão pouco tempo as tantas repetições não seriam reais. Abre-se a outra porta, desce o homem grande, cara de quem repreende uma criança. Dá a volta por trás do carro, há outros carros, outro já parou mais à frente, aqui indecisa, o cruzamento indeciso. Levanta um corpo inerte e recoloca no carro quase de qualquer jeito, fazendo caber de volta. Vai.

Vamos todos, vai a rua, vai o vermelho-verde do semáforo, vai a caneta que marca a placa do carro no papel de rascunho que nunca mais vai ser olhado, parece que virou à esquerda, virei à direita, mas também o carro do homem com a mulher que cai-sai-joga-se de braços um pouco pra cima virou à direita, parou mais à frente. As vozes altas, ambos sentados que não vi, o vidro da frente estilhaçado e jamais será possível saber.

Rápido ali, até demais. Até perceber acabou e depois é extenso por dentro, aqui. Parar, desviar, perguntar, anotar, denunciar, socorrer (o que?). Ir embora. Podia ser dito em uma ou duas frases. Mas os braços amolecidos foram prolixos. Fica a impressão.

Enquanto isso, preparava uma manhã livre das horas para... Mas joguei-me-aram-me do carro na faixa de pedestres. Deu tempo de sair andando com naturalidade. O tempo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009


a espera que escorrega
o que eu quero e não posso definir
não posso escolher
posso escolher
o sonho que havia dos frutos, da vida,
da geração de amores
das possibilidades
quem foi? fui eu, ou além?
o corte está indo a fundo
atravessa o planeta a lua que está pela metade
as massas sem pausa
intensifica acelera transborda rebate
anti/resolve e recomeça
as inquietas calamidades
com que direito o não-simples
da parte de nada de tudo que sou?
des-culpa-da-mente por nós
se fosse pelo entender
eu plantaria nossa próxima geração
arrancaria as dores e veria o fruto crescer.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vazia, vazando. Tanto, sobre tudo. Sobretudo sobre o tanto. Se hoje fosse de novo o mesmo dia não sei o que seria. Pra cada lado, a cada momento, ainda. Não me desvencilho dos nós de nós. Por dentro corta corte fino e constante. Cabeça, estômago, coração, pulmão, artérias, cada célula sente, pensa, sente, sente. Não sabe. Cada corda rompida amarra novo membro e aí... sono apertado.
Falta.