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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Esse manco que somos todos nós sempre que falta, sempre que suspendemos para saber algo antes de ir. Essa pele que desvestimos pra voltar a caber-nos, dentro e fora da luz, por dentro ou ao redor das sombras. Também somos feitos dos espaços que ocupamos, das calçadas que pisamos, das figuras que trançam os lugares, dessas noites múltiplas como os lados de dentro e desses dias muitos como tantos nós. De repente um flash deflagra. Um black-out também. Caminha, caminha, cava. Encontrar também é continuar procurando. Deixamos. Insistimos.
   

sábado, 12 de março de 2016

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

quanto mais pesava, mais afundava e era mais claro e barulhento ali embaixo, era um passeio pseudo-passivo que movimentava algo de dentro muito e algo pouco de fora; empurrar a luz dessa água-eu-submersa, vontade si-mesma, espreguiçar os sons, espreguiçar os gritos - nem todos meus -, escorrer, vazar íngreme.
           

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Tem um som que vem de fora e um outro som que vem de dentro. O som que vem de fora é mais frenético do que o som que vem de dentro, mas o som que vem de dentro é mais forte do que o som que vem de fora. Tem um som que vem de fora e um outro som que vem de dentro. O som que vem de fora é mais frenético do que o som que vem de dentro, mas o som que vem de dentro é mais forte do que o som que vem de fora. Tem um som que vem de fora e um outro som que vem de fora. E um outro som que vem de dentro. O som que vem de dentro é mais forte que o som frenético que vem de fora que o som que vem de dentro. Tem um fora que vem de dentro que é mais forte que o frenético que vem de outro som que vem de dentro. Tem um forte que vem de dentro que é mais forte do que outro som que vem de fora. Tem um que vem que é mais som do que dentro fora frenético mais do que vem de dentro. Tem um som que vem de outro som que é mais que frenético dentro fora forte.
 

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quis olhar com alguma distância. Que estivesse próximo, atravessado até, mas ali em outro lugar. Olhava quase por baixo, de certa forma diretamente, mas mais os caminhos e vultos do que aquilo que devolvia o olhar. Essa vibração sempre, tão própria, tão invisível, que não sabe se move ou estagna. Corpo mais largo por dentro do que por fora, corpo desencontro em si, partes que dos múltiplos que querem alcançar, às vezes não são. O profundo é sim e não, e sim e não, embate laceado, dureza chovendo frouxa até alagar. Desgaste profundo que vira ânsia, lágrima, raiva e então expansão. Silenciosa, interna. Quando-quanto foi mais pra fora, mais foi o avesso que ocupou os olhos que atravessaram, avesso-se, me, olhar-te-a-si.
     para Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
   

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A gaveta fechada é que está povoada de gente. Ali tem os esboços que me rodeiam, e aqueles que me convivem. Ali a escuridão me mostra todos, habitamos juntos na profusão de ruídos e presenças. Quando luz, é o vazio. Como se antes, imediatamente, pouco tivesse existido. Eu solta, no meio, quase capaz de ocupar o espaço maior do que ele é. Solta na própria órbita, mas enganchada pelos rabiscos do escuro, pendulando entre as fronteiras. A gaveta e a luz se confundem. Fechar e abrir é instante. Tamanho. E ausência, ou.
   para Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
      

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A ironia fala do tanto que não se ignora o ridículo de ser gente, não se ignora o ridículo, não se ignora. Esse riso amargo tem o gosto do que embaixo de nós, há. Acima e ao lado, e por dentro; esse riso que vaza quando são os excessos de preenchimento.
*
É tudo pretexto para que isso não deixe de acontecer. Eu te-me-nos conecto por um fio, tu me-te-nos conecta por um sopro. O espaço ao redor de nós, todos nós, nos-te-me-nos conecta ainda que pela ausência, e essa ausência tem(e) o peso dos silêncios áridos, ácidos, silêncios queimados, rastros dos restos dos pedaços de som. Há sempre milhares de janelas por onde as cabeças (sempre elas) dos vizinhos alongam os pescoços espiralados. Querem fazer parte do que é alheio, querem conectar-se-nos-todos, mesmo que em fragmentos.
para Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
    

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Cabeças pendem pela gravidade. Ou gravitam em volta de si mesmas, ancoradas num não-se-sabe-o-quê. Acontece que quanto mais vácuo, menos o peso de cada cabeça cabe em si - a não ser pelo disfarce, pelo patético da gente. A cabeça esconde o que não se sustenta enquanto faz de conta que sim. Então que as cabeças des-conduzem o espaço-do-todo (cabeça também, de cérebro magma), essas que acham que encontram, ocas e retrocessas. Até que voam, e o peso é espaço, ou revoam, e o peso é lava.
para Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
    

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Fazia tanto silêncio quanto a inquietude podia constituir. Era pr'aquele outro pedaço confundido de mim que eu olhava, aquele que quase vomita, que seca escapando dos naufrágios, mas úmido ainda. Esse pedaço duplicado seguia o acordo aflorado durante, e que tinha tamanho um pouco maior que o limite de um outro pedaço - este mais material que simbólico. Enquanto isso, aquele silêncio acobertava um canto contínuo que já havia sido som e agora era suposição. O canto intermitente seria como desgaste: necessário.
para Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
     

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Os olhos sumiram. Estavam lá, imagino, mas por trás de uma sombra qualquer fantasiada pelo meu olhar que não enxergava bem. Da neblina que meus olhos criaram naqueles, desenhei o que achei que poderia ver, pensando que quem traçava não era eu, talvez supondo que o que eu rabiscava, estava. Sem saber e sem sabermos eu escolhia cada intenção que pensava ver, possíveis que eram todas de emergir. Eu que sem ver, pensava que via, não via que os outros olhos devolviam o olhar, também. Não via que o que eu pensava que inventava, era.
para Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
       

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Já comecei a pensar nisso durante. Eram três lugares de um mesmo outro corpo, um do prazer, um da indiferença, um do medo e frio. Não que tivesse que ser assim cartesiano, nada tinha que, mas era. Os líquidos que rolavam eram melhores se conduzidos por fora, a cabeça revê a vida e o peso era lugar de conforto. De todas as imagens, não sei se é deslumbre ou aflição. Eu tiraria a luz de cima e colocaria por dentro. Buscava calor. Do contrário (contrário nada) de mim, buscava calor. Um que viesse das cavernas de através. Do contrário que também era eu, buscava calor.

escrita desejada e não-automática
experimentos pela anatomia do movimento - letícia sekito . Abissal . iN SAiO Cia. de Arte

    

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Eu pequena pequena querendo saber alguma coisa do peso da ânsia do que passa pela cabeça lembrei agora da letra que esvaziou o peito esvaziou o ar esvaziou as margens (plácidas?) acho que não as forças são diferentes e penso em não querer mais que elas estejam tanto quanto querer muito alargar é um movimento quase fora do corpo que não habita do corpo que não sabe se está porque assim estão as desconexões opostas esvaziadas de novo sempre tão esvaziadas hoje do sempre de hoje se eu quisesse dar um nome seria o que a caneta não completa direito como se fosse uma descoordenação cada palavra.

escrita automática
experimentos pela anatomia do movimento - letícia sekito . Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
   

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Tem aqui uma ansiedade pra fora pra fora uma coisa que quer sair vomitar como ânsia tremor e eu à margem do espaço que não tem tamanho certo a mão não obedece o punho a cabeça esvaziada vazando tudo isso que não tem nome engulo de novo pra sair não tem porta sem ser por lugar nenhum que eu conheça uma fragilidade explodida em mim sem corpo sem contorno sem força o eu sem nome como buracos eu inteira buracos em volta onde vai ser pra pisar um buraco que não tem nome também espalhado em todos os pensamentos enquanto o corpo pensa o buraco se move ao redor.

escrita automática
experimentos pela anatomia do movimento - letícia sekito . Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
        

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Engolir engolir ir pra dentro do que expele expelir como gota escorrendo sangrando gerando para cima e em seguida tem como um líquido meio pastoso com cor de sangue caindo pelas paredes parece que sai dos espaços do teto e escorre como vazamento aí vai passando pelo chão e começa a suar e a soar e a suar mais profundamente e volta a ter cor de sangue e a engolir e puxar como ralo vácuo vácuo vácuo eco som de eco de fora pra dentro eco vácuo engolindo o som o sangue os objetos engolindo o mundo para gerar outro engolindo a mim para gerar outra eu outros seres expelindo entregando suando o mundo cor de cobre.

escrita automática
experimentos pela anatomia do movimento - letícia sekito . Abissal . iN SAiO Cia. de Arte
      

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

criança que ri homem que foge um que reclama moço que assusta nova velha anão cadeirante bêbado braço cruzado olhos abertos cadeira gargalhada chão ao contrário trem apertado espaço aberto as peles sorriso sortido mãe vó tio filho grupo ignora apaixona passa enquanto espera enquanto passa entra sai jogo inteiro.
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

"Todo abismo é navegável a barquinhos de papel" (G. Rosa), tanto quanto "Poesia é voar fora da asa" (M. de Barros). Dos presentes que se ganha quando o público também diz.
 

sábado, 31 de maio de 2014

   
Como se ninguém soubesse o que se passa. Como se fosse outro dia da semana. Como se a regra (regra?) fosse mais importante do que tudo. Os sons ganham um certo emudecimento, ar de ficção, de irrealidade. Eu ganho uma certa solidão. E recortes de imagem enquadram-se por si só, pedindo registros.
Quase que em uma outra dimensão, a cidade que fala durante o meu silêncio é maior e um pouco destacada de mim.
 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Eu quero ouvir uma história. Sobre uma vez que eu mergulhei tão fundo, mas tão fundo, que passei a morar ali pra sempre. Não eu inteira. Só a parte maior de mim, aquela invisível, aquela que eu esquecia todos os dias, na verdade, por não saber dizer qual era o endereço dela.
(para Dark Room / iN SAiO Cia. de Arte)

terça-feira, 17 de setembro de 2013


Eu fui me buscar no fundo de um sonho. Estou relevo em outras linhas. Estou relevo fora daqui.
(para Dark Room | iN SAiO Cia. de Arte)