Hoje nós dançamos - e falar assim no plural nunca fez tanto sentido. Dançar hoje era continuar-a-estar. Lembrar no corpo o porquê. Não só por hoje, e não é pra falar de hoje e só, é por tudo, pelo que se quer desmontar por fora, pelo que se tenta esfacelar, e aí cada encontro é maior, cada poro aberto os nossos e os outros, cada um, cada mais um, cada outro. Terminou com poesia forte pausa silêncio. Pro pequeno desconhecido ir e rir e girar no espaço vazio, inteiro ele grande de tão pequenininho, e então já não terminava de novo, pra continuar.
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sábado, 8 de abril de 2017
segunda-feira, 27 de março de 2017
Hoje foi lindo. O Ato pelo Descongelamento da Cultura agregou todas as tantas e outras e múltiplas cores que João Dória, André Sturm e todo tipo de gente reacionária pensam que podem tornar acinzentadas. Foi força, contundência, arte, alguns milhares de trabalhadores da Cultura e um canto espalhado e firme que não cessou, enquanto corpos cenas performances fogo tambores estalavam suas presenças em uníssono. É pela CULTURA PÚBLICA E GRATUITA QUE É DIREITO DO POVO E DEVER DO ESTADO, por uma política pública de verdade, que não mate aquilo que vive com ímpeto, que não tenha a ingenuidade (pra não dizer perversidade estratégica muito bem arquitetada) de achar que a Cultura de um povo pode ser denegrida, subestimada, sucateada ou transformada em estratégias falidas de marketing. Estamos só começando.
#DescongelaCulturaJa
Frente Única da Cultura
#DescongelaCulturaJa
Frente Única da Cultura
sexta-feira, 24 de março de 2017
POR QUE É UM GOLPE E UM DESMONTE O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM OS PROGRAMAS DE FORMAÇÃO PIÁ E VOCACIONAL?
Como artista que trabalhava em um destes Programas (no caso, o Vocacional), entendo (assim como as milhares de pessoas envolvidas neles direta e indiretamente) por dentro seus significados e modos de existir. Mas para quem não conhece, cabe contar um pouco de como as coisas estão acontecendo. Desculpem pelo texto longo, mas mesmo em tempos de síntese, algumas histórias precisam ser contadas com um pouco mais de calma.
Até 2016, mais de 300 artistas desenvolveram processos artístico-pedagógicos com mais de 8000 cidadãs e cidadãos em todas as regiões da cidade de São Paulo (em CEU's, bibliotecas, centros culturais, teatros municipais), por meio de dois Programas de Formação fundamentais na cidade: PIÁ e Vocacional. Ambos são públicos e gratuitos para a população.
Um dos pilares dos dois programas é a continuidade: os processos se relacionam de uma turma pra outra, os artistas-orientadores e artistas-educadores podem permanecer nos mesmos equipamentos por mais de dois ou três anos para criar vínculo e aprofundamento com as turmas, com os grupos, com os espaços e com as regiões. Todo o trabalho é articulado em equipes e, com grande parte da equipe em continuidade, é possível dar sequência a projetos e processos desenvolvidos de um ano pra outro e ao longo dos anos.
O Programa Vocacional é voltado a interessados a partir de 14 anos, sem limite de idade, sem pré-requisitos a não ser: desejo de estar, refletir, criar, relacionar-se, criar articulações, existir num espaço de ação. São orientações em teatro, dança, música, artes visuais e literatura, além de coletivos de estudo e ação interlinguagem. No último ano, por exemplo, grupos que relacionavam artistas-orientadores e vocacionados da cidade inteira discutiam, de modo reflexivo-múltiplo-estético, questões urgentes sobre gênero, feminismo, racismo, opressão.
O PIÁ (Programa de Iniciação Artística) recebe crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, sem nenhum pré-requisito a não ser: vontade de estar, criar, brincar, encontrar, existir num espaço de ação. Muitas orientações acontecem, inclusive, com duas linguagens artísticas simultâneas em cada turma, entre teatro, dança, música e artes visuais. As crianças do PIÁ tem, nesse lugar de experiência, um espaço para tocar o mundo de modo sensível, lúdico e criativo.
Para os artistas-orientadores, artistas-educadores e artistas-articuladores dos Programas, as condições de trabalho sempre foram precárias: somos autônomos, temos uma média de 8 meses de contrato e absolutamente nenhum direito trabalhista.
Os editais de ambos os Programas sempre foi anual, garantindo o princípio legal de renovação de no mínimo 20% da equipe a cada ano. Desse modo, mantém-se a continuidade ao mesmo tempo que um fluxo de renovação. Quando novos profissionais chegam aos Programas e são recebidos por aqueles que já atuaram antes, é possível o contágio, a transição, o aprofundamento e a renovação de modo fluido, em consonância com todos os trabalhos que já estão em andamento.
No final de 2015, pela primeira vez a equipe conquistou um edital bienal, que foi construído por uma equipe de trabalhadores dos Programas junto ao jurídico da gestão (prefeitura) em vigor. Desse modo, a próxima equipe aprovada em edital trabalharia nas edições de 2016 e 2017, fortalecendo o princípio de continuidade e vínculo. Ao final desse prazo, seria lançado novo edital. A recontratação dos profissionais para 2017 estava condicionada a uma avaliação feita pelas equipes, pelos equipamentos que recebem os Programas e pela Secretaria de Cultura. Tal avaliação foi feita e o resultado da pontuação foi publicado em Diário Oficial no final de 2016, "visando a contratação dos mesmos para a edição de 2017".
Bem-vindos a 2017! Nenhuma notícia clara sobre o retorno dos Programas. E, em toda a Secretaria de Cultura, 43% de congelamento da verba total da pasta (que já é minúscula, menos de 1% do total da cidade). Não vou entrar, aqui, no mérito de outros desmontes já realizados pela Secretaria de Cultura em outros projetos/programas/editais, infringindo inclusive, a lei.
21 de março de 2017. As equipes dos Programas são chamadas às pressas pela manhã (e num chamamento não-oficial) para um encontro na tarde do mesmo dia, onde fomos COMUNICADOS (não há diálogo, há um recado transmitido) que "o jurídico da atual gestão considerou ilegal recontratar os artistas que trabalharam em 2016. Desse modo, nenhuma das mais de 300 pessoas que atuaram nos Programas no ano passado será recontratada. A lista seguirá a partir do último nome chamado". E mais um alarme: se a lista terminar e ainda houver vagas, será feito um novo edital. Mas e a bienalidade desse? Não vale nada??
E O FUNDAMENTO DA CONTINUIDADE, UMA VEZ QUE NÃO HAVERÁ NA EQUIPE DE 2017 NENHUM ARTISTA QUE ESTAVA NO PROGRAMA NO ANO PASSADO?
Como dar sequência aos processos se todas as pessoas contratadas são novas?
Sobre o argumento usado pela gestão, no edital consta o seguinte item:
"13.2. Os selecionados serão oportunamente contratados, de acordo com a necessidade de serviço e havendo disponibilidade orçamentária, por um período de ATÉ nove meses, admitindo-se a prorrogação, por uma única vez, por igual ou inferior período, respeitado o prazo de vigência do credenciamento a critério exclusivo da Administração. A competência para contratação dos selecionados é do Departamento de Expansão Cultural e da Divisão de Formação Artística e Cultural, da SMC."
O jurídico atual argumenta que, para haver prorrogação, nossos contratos (encerrados entre final de novembro e início de dezembro de 2016) precisariam ainda estar vigentes. Mas como prorrogar com emenda nos dois contratos, se a quantidade seguida de meses trabalhados geraria vínculo empregatício - o que não pode acontecer na nossa condição de prestadores de serviço para a prefeitura? Como um jurídico (anterior) acompanha a elaboração do edital e considera que não há irregularidades, e o outro jurídico (atual) "interpreta" o contrário? Não há ética e cumprimento dos acordos feitos?
ONDE ESTÁ ESCRITO QUE É ILEGAL OU PROIBIDO RECONTRATAR OS MESMOS PROFISSIONAIS NO SEGUNDO ANO DE VIGÊNCIA DO EDITAL? - SE NÃO EM CARÁTER DE PRORROGAÇÃO, ENTÃO, COMO NOVOS CONTRATOS.
Se fica a critério da Secretaria, admitam que é UMA DECISÃO POLÍTICA DE DERRUBAR TODOS OS PROCESSOS CONSTRUÍDOS, COMEÇAR OS PROGRAMAS DO ZERO E DESCARACTERIZÁ-LOS POR COMPLETO.
Se os pilares básicos dos Programas são destruídos, eles deixam de ser o que eram. Viram um arremedo do que foram, onde se mantém apenas os nomes e a falsa imagem (que a Secretaria está tentando construir) de que há manutenção dos programas públicos já vigentes - mas, na verdade, o que está acontecendo é um desmonte absoluto.
Vale dizer que a verba destes Programas vem tanto da Cultura quanto da Educação. Ambas pastas com enorme porcentagem congelada. Responsabilidade de quem? Do atual prefeito. O congelamento tem um objetivo claro de sucateamento estratégico de áreas essenciais para a sobrevivência da cidade, em especial aquelas que lidam com construção de pensamento e ação. E, com o argumento do congelamento, não há agora verba da Educação disponível e, portanto, os Programas não acontecerão nos CEU's. Em nenhum equipamento da Educação.
Uma parcela muito menor dos espaços públicos terão acesso aos Programas, de modo descontinuado, fragilizado, desmontado e prestes a ser qualquer outra coisa, menos aquilo que foi construído ao longo de anos de trabalho e dedicação por milhares de cidadãos, entre artistas-vocacionados-piás-educadores-orientadores-articuladores-coordenadores que passaram pelos processos e fizeram da ação, história e memória o que estes Programas são no presente.
Pelo menos eram, até a gestão Dória-Sturm que deseja transformar a Cultura da cidade num cinza desbotado e sem vida, sem relações, sem vínculos, sem criticidade, sem história, sem transparência.
Mas a arte resiste e isso não é romantismo. É a natureza da nossa ação.
Com Amor e Respeito profundos pelos Programas e pela História construída por eles,
Cristina Ávila
artista+orientadora
#PIÁeVocacionalResistem
#ContraODesmonteDaCultura
Como artista que trabalhava em um destes Programas (no caso, o Vocacional), entendo (assim como as milhares de pessoas envolvidas neles direta e indiretamente) por dentro seus significados e modos de existir. Mas para quem não conhece, cabe contar um pouco de como as coisas estão acontecendo. Desculpem pelo texto longo, mas mesmo em tempos de síntese, algumas histórias precisam ser contadas com um pouco mais de calma.
Até 2016, mais de 300 artistas desenvolveram processos artístico-pedagógicos com mais de 8000 cidadãs e cidadãos em todas as regiões da cidade de São Paulo (em CEU's, bibliotecas, centros culturais, teatros municipais), por meio de dois Programas de Formação fundamentais na cidade: PIÁ e Vocacional. Ambos são públicos e gratuitos para a população.
Um dos pilares dos dois programas é a continuidade: os processos se relacionam de uma turma pra outra, os artistas-orientadores e artistas-educadores podem permanecer nos mesmos equipamentos por mais de dois ou três anos para criar vínculo e aprofundamento com as turmas, com os grupos, com os espaços e com as regiões. Todo o trabalho é articulado em equipes e, com grande parte da equipe em continuidade, é possível dar sequência a projetos e processos desenvolvidos de um ano pra outro e ao longo dos anos.
O Programa Vocacional é voltado a interessados a partir de 14 anos, sem limite de idade, sem pré-requisitos a não ser: desejo de estar, refletir, criar, relacionar-se, criar articulações, existir num espaço de ação. São orientações em teatro, dança, música, artes visuais e literatura, além de coletivos de estudo e ação interlinguagem. No último ano, por exemplo, grupos que relacionavam artistas-orientadores e vocacionados da cidade inteira discutiam, de modo reflexivo-múltiplo-estético, questões urgentes sobre gênero, feminismo, racismo, opressão.
O PIÁ (Programa de Iniciação Artística) recebe crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, sem nenhum pré-requisito a não ser: vontade de estar, criar, brincar, encontrar, existir num espaço de ação. Muitas orientações acontecem, inclusive, com duas linguagens artísticas simultâneas em cada turma, entre teatro, dança, música e artes visuais. As crianças do PIÁ tem, nesse lugar de experiência, um espaço para tocar o mundo de modo sensível, lúdico e criativo.
Para os artistas-orientadores, artistas-educadores e artistas-articuladores dos Programas, as condições de trabalho sempre foram precárias: somos autônomos, temos uma média de 8 meses de contrato e absolutamente nenhum direito trabalhista.
Os editais de ambos os Programas sempre foi anual, garantindo o princípio legal de renovação de no mínimo 20% da equipe a cada ano. Desse modo, mantém-se a continuidade ao mesmo tempo que um fluxo de renovação. Quando novos profissionais chegam aos Programas e são recebidos por aqueles que já atuaram antes, é possível o contágio, a transição, o aprofundamento e a renovação de modo fluido, em consonância com todos os trabalhos que já estão em andamento.
No final de 2015, pela primeira vez a equipe conquistou um edital bienal, que foi construído por uma equipe de trabalhadores dos Programas junto ao jurídico da gestão (prefeitura) em vigor. Desse modo, a próxima equipe aprovada em edital trabalharia nas edições de 2016 e 2017, fortalecendo o princípio de continuidade e vínculo. Ao final desse prazo, seria lançado novo edital. A recontratação dos profissionais para 2017 estava condicionada a uma avaliação feita pelas equipes, pelos equipamentos que recebem os Programas e pela Secretaria de Cultura. Tal avaliação foi feita e o resultado da pontuação foi publicado em Diário Oficial no final de 2016, "visando a contratação dos mesmos para a edição de 2017".
Bem-vindos a 2017! Nenhuma notícia clara sobre o retorno dos Programas. E, em toda a Secretaria de Cultura, 43% de congelamento da verba total da pasta (que já é minúscula, menos de 1% do total da cidade). Não vou entrar, aqui, no mérito de outros desmontes já realizados pela Secretaria de Cultura em outros projetos/programas/editais, infringindo inclusive, a lei.
21 de março de 2017. As equipes dos Programas são chamadas às pressas pela manhã (e num chamamento não-oficial) para um encontro na tarde do mesmo dia, onde fomos COMUNICADOS (não há diálogo, há um recado transmitido) que "o jurídico da atual gestão considerou ilegal recontratar os artistas que trabalharam em 2016. Desse modo, nenhuma das mais de 300 pessoas que atuaram nos Programas no ano passado será recontratada. A lista seguirá a partir do último nome chamado". E mais um alarme: se a lista terminar e ainda houver vagas, será feito um novo edital. Mas e a bienalidade desse? Não vale nada??
E O FUNDAMENTO DA CONTINUIDADE, UMA VEZ QUE NÃO HAVERÁ NA EQUIPE DE 2017 NENHUM ARTISTA QUE ESTAVA NO PROGRAMA NO ANO PASSADO?
Como dar sequência aos processos se todas as pessoas contratadas são novas?
Sobre o argumento usado pela gestão, no edital consta o seguinte item:
"13.2. Os selecionados serão oportunamente contratados, de acordo com a necessidade de serviço e havendo disponibilidade orçamentária, por um período de ATÉ nove meses, admitindo-se a prorrogação, por uma única vez, por igual ou inferior período, respeitado o prazo de vigência do credenciamento a critério exclusivo da Administração. A competência para contratação dos selecionados é do Departamento de Expansão Cultural e da Divisão de Formação Artística e Cultural, da SMC."
O jurídico atual argumenta que, para haver prorrogação, nossos contratos (encerrados entre final de novembro e início de dezembro de 2016) precisariam ainda estar vigentes. Mas como prorrogar com emenda nos dois contratos, se a quantidade seguida de meses trabalhados geraria vínculo empregatício - o que não pode acontecer na nossa condição de prestadores de serviço para a prefeitura? Como um jurídico (anterior) acompanha a elaboração do edital e considera que não há irregularidades, e o outro jurídico (atual) "interpreta" o contrário? Não há ética e cumprimento dos acordos feitos?
ONDE ESTÁ ESCRITO QUE É ILEGAL OU PROIBIDO RECONTRATAR OS MESMOS PROFISSIONAIS NO SEGUNDO ANO DE VIGÊNCIA DO EDITAL? - SE NÃO EM CARÁTER DE PRORROGAÇÃO, ENTÃO, COMO NOVOS CONTRATOS.
Se fica a critério da Secretaria, admitam que é UMA DECISÃO POLÍTICA DE DERRUBAR TODOS OS PROCESSOS CONSTRUÍDOS, COMEÇAR OS PROGRAMAS DO ZERO E DESCARACTERIZÁ-LOS POR COMPLETO.
Se os pilares básicos dos Programas são destruídos, eles deixam de ser o que eram. Viram um arremedo do que foram, onde se mantém apenas os nomes e a falsa imagem (que a Secretaria está tentando construir) de que há manutenção dos programas públicos já vigentes - mas, na verdade, o que está acontecendo é um desmonte absoluto.
Vale dizer que a verba destes Programas vem tanto da Cultura quanto da Educação. Ambas pastas com enorme porcentagem congelada. Responsabilidade de quem? Do atual prefeito. O congelamento tem um objetivo claro de sucateamento estratégico de áreas essenciais para a sobrevivência da cidade, em especial aquelas que lidam com construção de pensamento e ação. E, com o argumento do congelamento, não há agora verba da Educação disponível e, portanto, os Programas não acontecerão nos CEU's. Em nenhum equipamento da Educação.
Uma parcela muito menor dos espaços públicos terão acesso aos Programas, de modo descontinuado, fragilizado, desmontado e prestes a ser qualquer outra coisa, menos aquilo que foi construído ao longo de anos de trabalho e dedicação por milhares de cidadãos, entre artistas-vocacionados-piás-educadores-orientadores-articuladores-coordenadores que passaram pelos processos e fizeram da ação, história e memória o que estes Programas são no presente.
Pelo menos eram, até a gestão Dória-Sturm que deseja transformar a Cultura da cidade num cinza desbotado e sem vida, sem relações, sem vínculos, sem criticidade, sem história, sem transparência.
Mas a arte resiste e isso não é romantismo. É a natureza da nossa ação.
Com Amor e Respeito profundos pelos Programas e pela História construída por eles,
Cristina Ávila
artista+orientadora
#PIÁeVocacionalResistem
#ContraODesmonteDaCultura
terça-feira, 21 de março de 2017
URGENTE!!! DIVULGUEM!!!
Programas Vocacional e PIÁ DESMONTADOS pela atual gestão de São Paulo: prefeitura e secretaria de cultura.
Com argumentos jurídicos manobrados de acordo com a vontade dessa gestão, nenhum(a) dxs 300 artistas que trabalhou no ano passado será recontratadx. Nenhum(a). A lista seguirá a partir da última pessoa contratada, mesmo que no ano passado o edital tenha sido bienal (porque é princípio fundamental dos Programas desenvolver processos com continuidade) e a avaliação dxs artistas para recontratação tenha sido feita em dezembro.
Isso significa o desmonte completo de mais de 20 equipes espalhadas e articuladas na cidade, que dariam sequência a trabalhos continuados com mais de 8000 vocacionadxs na cidade inteira.
Não há acordo com João Dória e André Sturm.
AÇÃO URGENTE!!!!
#ContraODesmonteDaCultura
Programas Vocacional e PIÁ DESMONTADOS pela atual gestão de São Paulo: prefeitura e secretaria de cultura.
Com argumentos jurídicos manobrados de acordo com a vontade dessa gestão, nenhum(a) dxs 300 artistas que trabalhou no ano passado será recontratadx. Nenhum(a). A lista seguirá a partir da última pessoa contratada, mesmo que no ano passado o edital tenha sido bienal (porque é princípio fundamental dos Programas desenvolver processos com continuidade) e a avaliação dxs artistas para recontratação tenha sido feita em dezembro.
Isso significa o desmonte completo de mais de 20 equipes espalhadas e articuladas na cidade, que dariam sequência a trabalhos continuados com mais de 8000 vocacionadxs na cidade inteira.
Não há acordo com João Dória e André Sturm.
AÇÃO URGENTE!!!!
#ContraODesmonteDaCultura
quinta-feira, 16 de março de 2017
A Prefeitura do Município de São Paulo e a Secretaria Municipal de Cultura ORGULHOSA E ESTRATEGICAMENTE APRESENTAM:
"A DESTRUIÇÃO DA CULTURA - uma rasteira em São Paulo, nos trabalhadores da área, em todos os demais profissionais envolvidos, no público da cidade inteira e nas conquistas históricas construídas por décadas"
COM: verba congelada - desmonte absoluto das ações culturais - edital assassinado - edital relançado com critérios de sucateamento e incompreensão - ilegalidades - autoritarismo - sumiço dos programas de formação - sufocamento dos projetos culturais de todas as áreas - destruição das conquistas históricas da classe artística - ausência de trabalho - ausência de diálogo - tentativa de acinzentamento do pensamento e da produção cultural na cidade
Em cartaz ao seu redor. Em todos os lugares.
Onde era público e deixa de ser.
ATO AGORA NA GALERIA OLIDO, ÀS 10h
#DescongelaCulturaJá!!
#DevolveOFomento
"A DESTRUIÇÃO DA CULTURA - uma rasteira em São Paulo, nos trabalhadores da área, em todos os demais profissionais envolvidos, no público da cidade inteira e nas conquistas históricas construídas por décadas"
COM: verba congelada - desmonte absoluto das ações culturais - edital assassinado - edital relançado com critérios de sucateamento e incompreensão - ilegalidades - autoritarismo - sumiço dos programas de formação - sufocamento dos projetos culturais de todas as áreas - destruição das conquistas históricas da classe artística - ausência de trabalho - ausência de diálogo - tentativa de acinzentamento do pensamento e da produção cultural na cidade
Em cartaz ao seu redor. Em todos os lugares.
Onde era público e deixa de ser.
ATO AGORA NA GALERIA OLIDO, ÀS 10h
#DescongelaCulturaJá!!
#DevolveOFomento
segunda-feira, 13 de março de 2017
O mínimo do que está acontecendo nas raízes da cidade: a gestão-desmonte-dória é contra os direitos básicos do povo, dos trabalhadores, passa por cima das leis, desfaz em semanas conquistas históricas construídas por décadas.
#ForaAndréSturm, #ForaLaraPinheiro, que usam seus cargos com arrogância, não dialogam, não representam e não apoiam os direitos e os trabalhadores da Cultura.
#ForaDória, fantasiado de todos os personagens pelos quais ele não tem nenhum respeito. Rei absolutista marqueteiro, higienista, pseudo-prefeito, autoritário.
E #ForaAlckmin e #ForaTemer pra não perder o costume, porque faz tudo parte da mesma panela fascista e repressora.
#DescongelaCulturaJá!!
#ForaAndréSturm, #ForaLaraPinheiro, que usam seus cargos com arrogância, não dialogam, não representam e não apoiam os direitos e os trabalhadores da Cultura.
#ForaDória, fantasiado de todos os personagens pelos quais ele não tem nenhum respeito. Rei absolutista marqueteiro, higienista, pseudo-prefeito, autoritário.
E #ForaAlckmin e #ForaTemer pra não perder o costume, porque faz tudo parte da mesma panela fascista e repressora.
#DescongelaCulturaJá!!
quarta-feira, 8 de março de 2017
o dilúvio seria menos enchente se não fosse de novo falando do óbvio
do que não deveria precisar ser defendido
da lista de assombros todos da mesma família
bomba porrada pancada
congelamento dos direitos cultura-vidas-pessoas-soterradas
buraco fossa lama-não-paga
de novo e ainda precisa dizer da importância
precisa dizer da pertinência
precisa dizer que o assassinato (sucateamento-desmonte-cancelamento) da Cultura é aberração inominável
e o assassinato (racismopretopobreperiférico) do menino (milhares) esfomeado (milhões) é aberração inominável
e o assassinato (lgbtfobias) de muitas (Dandaras) é aberração inominável
e o assassinato (machismomisoginia) de inúmeras (elas) é aberração inominável
precisa dizer que pro cara (são muitos) que esquartejou a mulher (quantas) era prisão pro resto da vida
precisa combater ainda mblbolsonaroescolasempartido (e seus ecos torpes)
e apanhar da tríade golpefederal-estadual-municipal-higienista-fascista
precisa dizer ainda de novo que massacrar gente é espantoso é aberração inominável.
do que não deveria precisar ser defendido
da lista de assombros todos da mesma família
bomba porrada pancada
congelamento dos direitos cultura-vidas-pessoas-soterradas
buraco fossa lama-não-paga
de novo e ainda precisa dizer da importância
precisa dizer da pertinência
precisa dizer que o assassinato (sucateamento-desmonte-cancelamento) da Cultura é aberração inominável
e o assassinato (racismopretopobreperiférico) do menino (milhares) esfomeado (milhões) é aberração inominável
e o assassinato (lgbtfobias) de muitas (Dandaras) é aberração inominável
e o assassinato (machismomisoginia) de inúmeras (elas) é aberração inominável
precisa dizer que pro cara (são muitos) que esquartejou a mulher (quantas) era prisão pro resto da vida
precisa combater ainda mblbolsonaroescolasempartido (e seus ecos torpes)
e apanhar da tríade golpefederal-estadual-municipal-higienista-fascista
precisa dizer ainda de novo que massacrar gente é espantoso é aberração inominável.
sábado, 19 de novembro de 2016
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Já era quase dia seguinte quando consegui finalmente ouvir ao vivo a finalização de uma segunda-feira tão exaustiva quanto histórica pra essa mulher. Tantas horas depois e ela ali inteira, digna, consciente, clara, segura. A força de argumentação lúcida depois de mais um degrau pro golpe escancarado, além das ruas com bomba e fumaça graças aos "coronéis-paulistas-militares", os pretensos donos do mundo, covardes alckimistas do gás de pimenta. De Dilma, uma gestão imperfeita sim (e alianças espúrias, sem dúvida), mas sem crime como é sabido e reforçado e mal-disfarçado; ela lançada diante de uma aberração de proporções tão grandes quanto este julgamento injustificável. A rasteira golpista em fase de concretização final, a descida ladeira à direita, mas fica sua figura de resistência e coragem profundas diante desse processo mentiroso e fascista.
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Uma, mas são milhares, e bastaria ser uma. Mais de trinta, ou poderia ser um, bastaria ser um. Como resetar uma violência que não tem volta, uma dor que não tem medida, um corpo lesionado, todos os corpos lesionados, uma meninamulher invadida, todas as meninasmulheres invadidas, o mundo saturado dos cortes, dos rasgos, das feridas, dos sangramentos que não coagulam. O inconcebível.
quinta-feira, 12 de maio de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Tinham nas vozes discursos gagos e grunhidos, tinham no caráter fedores e mentiras; ou não tinham caráter - disfunção da qual sofria a maior parte. Eram figuras saídas de dentro de móveis abandonados, por baixo de tapetes empoeirados, numa sucessão de deformidades mal-elaboradas, como num cenário macabro de baixa qualidade.
Apesar de óbvios, tamanha existência em massa chegava a surpreender em alguma medida, arrancava às vezes risos nervosos diante do desmonte dos seres que cuspiam bobagens.
Eram muitos. Doentios. Embora já saídos das fraldas há muitos anos, reagiam com infantilidade bestificada diante da minoria de figuras contrárias ao seu show de horrores (porque sim, elas existem, e um salve à coragem e pertinência dos personagens que habitam a outra margem do rio).
Como suportá-los, esses fascistas de golpe em punho, racistas e homofóbicos, ignorantes e mentirosos, hipócritas e cínicos, torturadores armados de ódio construído e conveniente, inflamados e sem vergonha por suas próprias existências?
Por horas exibiram-se num show patético comandado pelo showman-risonho-bandido-gângster-canalha (outro salve aos nomes tão adequados) que se julga impune, mas acreditemos que cairá, porque tamanho terror personificado há que ser aprisionado para longe das nossas existências.
Tal exibição só caberia neste dia da semana, dia de programa dominical com dedicações imbecilizadas às suas-famílias-propriedades, aos deuses genéricos, aos golpistas, a um torturador. A um torturador.
Há os piores e há os piores que os piores. Não cabe dizer amebas, porcos, ratos. Comparam-se aos humanos, e apenas aos humanos, essa raça que tem sabido cheirar tão profundamente a esterco.
Os pobres, negros, índios, mulheres, violentados, homossexuais, guerreiros, lutadores, torturados, desaparecidos, miseráveis, excluídos, decentes, estes não cabiam naquelas bocas imundas.
Poderia ser o roteiro de um filme ruim, mas foi verdade não-estética, foi verdade e re-revelação.
Apesar de óbvios, tamanha existência em massa chegava a surpreender em alguma medida, arrancava às vezes risos nervosos diante do desmonte dos seres que cuspiam bobagens.
Eram muitos. Doentios. Embora já saídos das fraldas há muitos anos, reagiam com infantilidade bestificada diante da minoria de figuras contrárias ao seu show de horrores (porque sim, elas existem, e um salve à coragem e pertinência dos personagens que habitam a outra margem do rio).
Como suportá-los, esses fascistas de golpe em punho, racistas e homofóbicos, ignorantes e mentirosos, hipócritas e cínicos, torturadores armados de ódio construído e conveniente, inflamados e sem vergonha por suas próprias existências?
Por horas exibiram-se num show patético comandado pelo showman-risonho-bandido-gângster-canalha (outro salve aos nomes tão adequados) que se julga impune, mas acreditemos que cairá, porque tamanho terror personificado há que ser aprisionado para longe das nossas existências.
Tal exibição só caberia neste dia da semana, dia de programa dominical com dedicações imbecilizadas às suas-famílias-propriedades, aos deuses genéricos, aos golpistas, a um torturador. A um torturador.
Há os piores e há os piores que os piores. Não cabe dizer amebas, porcos, ratos. Comparam-se aos humanos, e apenas aos humanos, essa raça que tem sabido cheirar tão profundamente a esterco.
Os pobres, negros, índios, mulheres, violentados, homossexuais, guerreiros, lutadores, torturados, desaparecidos, miseráveis, excluídos, decentes, estes não cabiam naquelas bocas imundas.
Poderia ser o roteiro de um filme ruim, mas foi verdade não-estética, foi verdade e re-revelação.
quinta-feira, 17 de março de 2016
Alienação desmedida nesse verdeamarelismo mascarado de justiceiro, tomando os horários nobres da tv mais suja do país. Olhar pra isso como a maior estratégia de manipulação dos últimos tempos não significa defender um partido, e sim ouvir sons por trás dos berros: nos caminhos glob(golp)istas que estão dados, a ilegalidade impera, já que são alguns dos maiores representantes da podridão política brasileira que comandam os rumos dessa descida torpe esgoto abaixo.
#naovaitergolpe
#naovaitergolpe
sexta-feira, 11 de março de 2016
Tem até dancinha pro impeachment golpista, com tutorial, apoiada em discursos de ódio e suposta justiça (sombria). Patetismo e piadas à parte, o nível de surdez, intolerância e alienação a que se chegou não tem argumento que desfaça. Só me faz lembrar a fala do Durvivier: é querer limpar o chão com bosta.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
sai água entra lama . sai escola entra gás
entra prisão sai aluno . entra polícia sai professor
sai índio entra bala . sai gente entra massacre
entra grana sai barragem . entram as igrejas dos deuses que nem foram consultados saem direitos básicos óbvios
estamos soterrados só que dessa vez não é metáfora
estamos demolidos por dentro e ao redor
não é tragédia natural. não é reorganização. não é reapropriação. não é a lei da vida ou pela vida.
é crime acumulado.
entra prisão sai aluno . entra polícia sai professor
sai índio entra bala . sai gente entra massacre
entra grana sai barragem . entram as igrejas dos deuses que nem foram consultados saem direitos básicos óbvios
estamos soterrados só que dessa vez não é metáfora
estamos demolidos por dentro e ao redor
não é tragédia natural. não é reorganização. não é reapropriação. não é a lei da vida ou pela vida.
é crime acumulado.
domingo, 5 de julho de 2015
Respeito, mesmo, o susto de todos os que já foram agredidos por menores (ou maiores) de idade. Respeito o luto dos que viveram perdas definitivas por conta de que tipo de violência for, inclusive pelas mãos desses menores. Mas respeito em escala imensurável o luto dos que perderam seus menores nas periferias, e como são muitas essas perdas, e tantas, e muitas mais, e quantas gratuitas. Mas estas não aparecem quando se discute a redução da maioridade penal, e enquanto não se admitir que esse tipo de criminalidade é uma questão social, não sairemos do lugar. Ou melhor, sairemos, rumo a um país cada vez mais violento, racista e discriminador.
Uma das grandes confusões que se faz nessa discussão é achar que quem é contra a redução "defende a impunidade". É o contrário. Impune é a sociedade que permite tamanho desamparo. Não adianta pensar que "querer é poder", simplesmente porque o mundo capitalista é construído para a desigualdade. Não há como todos terem as mesmas condições, porque o lucro de um depende da exploração do outro. Simples assim: é o capital quem manda, e em nome dele vale tudo. Há quem manda e quem obedece, há quem pode estudar e quem não pode, há quem come e quem passa fome, há quem tem o direito de viver dignamente e quem tem o dever de aceitar que seu esforço e seu trabalho valem menos (muito menos), porque afinal, a vida é assim mesmo.
Estão, ou vem das periferias, muitas das principais pessoas com as quais eu convivo, amo e/ou admiro (seja pelo contato direto ou por saber da sua militância) e eu seria no mínimo ignorante e preconceituosa se achasse que essa não é uma realidade possível. Aliás, é nessa força que eu acredito e confio em primeiro lugar e é por essa potência que eu escrevo. Várias dessas histórias ainda se reforçam justamente por conta das possibilidades (dizer o óbvio) de educação e cultura, e de convívio, e de reflexão e senso crítico por diversos caminhos, e de expressão e empoderamento (especialmente por iniciativa popular). E há histórias, inclusive, de reabilitação e ressocialização sem as quais várias trajetórias teriam sido diferentes. E é justamente por saber que é assim que continuo acreditando que o rumo a ser tomado precisa ser outro, diferente da escola de bandidagem que é o sistema carcerário tal como se apresenta.
No entanto, está posto que no mundo em que vivemos não há (e isso há séculos) espaço para todos os que "querem escolher". Não ter espaço inclui não ter inclusive a perspectiva de que esse espaço possa existir, ou ser alargado, ou ser conquistado por direito. Principalmente quando ele é subtraído desde o nascimento.
E aí isso significa que todas as ações estão justificadas, e que jovens que cometem crimes devem ficar impunes e livres pra continuar reproduzindo esse comportamento? Não. Em primeiro lugar eles deveriam era ter uma vida que abrisse as portas pra outros modos de ser, e isso parece óbvio. Mas vamos partir da sociedade falida que já temos, e eles já estão na rua e no crime: um adolescente nessas condições não fica impune. Desde os 12 anos ele é recluso, só que em sistema diferente. E acredito profundamente que eles precisam ter o direito a esse outro formato de reclusão para que se aponte para eles outras perspectivas, e não no meio de adultos diplomados no crime onde vão aprender a ser cada vez mais perigosos, porque não há nada diferente disso na cadeia. E uma hora eles saem (ainda que, por vezes, muito depois de já terem cumprido suas penas, num sistema lotado e falido que não dá conta dos próprios processos). E não saem de lá pra estudar e trabalhar. Né?
O crime é uma escolha? Tá aí o Eduardo Cunha, por exemplo, nos provando que pode ser que sim. Criminoso, defendendo seus interesses por meio de uma manobra inconstitucional - e em nome de deus. O ser humano sabe ser peverso também. E olha que provavelmente o Cunha nunca passou fome, nem foi discriminado, nem nunca deve ter sido agredido pela polícia nem visto parentes e amigos serem mortos "a priori" (tipo: atira e depois pergunta). E que bandido feroz ele se tornou. Mas, voltando à população à qual essa medida se dirige prioritariamente, nada me convence de que a sociedade é feita para todos e que a índole é que define os rumos de qualquer cidadão.
Se vivêssemos numa sociedade não-excludente essa discussão nem seria necessária, porque a criminalidade existente por conta dos seres "naturalmente perversos" seria provavelmente muito específica. Uma vez que não é assim, se quiséssemos realmente diminuir a violência (e não aprovar uma medida para estimular o lucro com a construção de presídios), os programas de reabilitação existiriam de fato (para adolescentes e adultos) - e acreditaríamos que essa reabilitação é possível. Se não vivêssemos num mundo racista e discriminador, o genocídio que acontece nas periferias seria uma aberração. Quer dizer, é uma aberração. Mas uma aberração que está naturalizada e às vezes ainda aparece com cara de justiça. Nada pior. Quantas vezes já ouvi adolescente dizer que, quando crescer, quer ser policial (ou bandido) pra poder mandar em tudo e todos? E não é porque viram filme de ação. É porque veem isso nas suas ruas, nas suas casas. A reprodução do comportamento de poder e repressão é séria, muito séria. Quem vive ou convive nas quebradas das cidades sabe que por lá a polícia já mata sem precisar do aval da lei. Impera uma espécie de autorização tácita para matar. Nascer imerso na violência é uma forma de se construir o mundo. Não dá mais pra fingir que não vemos isso.
Além disso, não duvido que a porcentagem de menores que cometem crimes hediondos vá subitamente "aumentar" pelos crimes forjados, nos testemunhos que afirmarão que "sim, foi esse daí", e mesmo a falta de necessidade de testemunhos e certezas, porque é mais um moleque "preto, pobre e vagabundo" que por via das dúvidas a gente já isola da sociedade. Já encarcera mais cedo e vai limpando a rua dessa gente. Armas e drogas plantadas pela polícia tem aos montes. Adoraria que fosse chavão ou exagero, mas não é. Fora o aliciamento de menores ainda menores pelos criminosos que os usam como ponta de lança. Tragédia.
E então surgem os comentários lugar-comum: "ah, você acha que eles são 'coitadinhos', 'indefesos"'. Não acho e não gosto dessa ironia. Eles aprenderam a ser bandidos e cabe à sociedade pagar sua dívida escravocrata em busca do contrário, ao invés de clamar para que se acomodem em condições miseráveis. Esse pagamento vai no sentido de propiciar uma sociedade (utópica?) revolucionária. Que comece pela extinção da miséria e dos preconceitos todos, pela extinção da fome, por educação e saúde não sucateadas e que passe pela reabilitação no crime, também.
Talvez o congresso, reacionário como está, aprove mais essa manobra porque pode estar interessado em muitas coisas, mas nenhuma delas se alinha de fato com a diminuição da violência. Se isso acontecer saberemos os frutos, e será um desastre considerável que tenhamos que pagar pra ver. Não torço por isso, prefiro ficar sem as provas concretas de que esta será uma contribuição para agravar o que já está sério demais.
Desejo aos menores que já existem, e aos menores que ainda vão nascer, e aos menores que já são maiores, um mundo onde possamos olhar uns para os outros, ao invés de nos escondermos.
Uma das grandes confusões que se faz nessa discussão é achar que quem é contra a redução "defende a impunidade". É o contrário. Impune é a sociedade que permite tamanho desamparo. Não adianta pensar que "querer é poder", simplesmente porque o mundo capitalista é construído para a desigualdade. Não há como todos terem as mesmas condições, porque o lucro de um depende da exploração do outro. Simples assim: é o capital quem manda, e em nome dele vale tudo. Há quem manda e quem obedece, há quem pode estudar e quem não pode, há quem come e quem passa fome, há quem tem o direito de viver dignamente e quem tem o dever de aceitar que seu esforço e seu trabalho valem menos (muito menos), porque afinal, a vida é assim mesmo.
Estão, ou vem das periferias, muitas das principais pessoas com as quais eu convivo, amo e/ou admiro (seja pelo contato direto ou por saber da sua militância) e eu seria no mínimo ignorante e preconceituosa se achasse que essa não é uma realidade possível. Aliás, é nessa força que eu acredito e confio em primeiro lugar e é por essa potência que eu escrevo. Várias dessas histórias ainda se reforçam justamente por conta das possibilidades (dizer o óbvio) de educação e cultura, e de convívio, e de reflexão e senso crítico por diversos caminhos, e de expressão e empoderamento (especialmente por iniciativa popular). E há histórias, inclusive, de reabilitação e ressocialização sem as quais várias trajetórias teriam sido diferentes. E é justamente por saber que é assim que continuo acreditando que o rumo a ser tomado precisa ser outro, diferente da escola de bandidagem que é o sistema carcerário tal como se apresenta.
No entanto, está posto que no mundo em que vivemos não há (e isso há séculos) espaço para todos os que "querem escolher". Não ter espaço inclui não ter inclusive a perspectiva de que esse espaço possa existir, ou ser alargado, ou ser conquistado por direito. Principalmente quando ele é subtraído desde o nascimento.
E aí isso significa que todas as ações estão justificadas, e que jovens que cometem crimes devem ficar impunes e livres pra continuar reproduzindo esse comportamento? Não. Em primeiro lugar eles deveriam era ter uma vida que abrisse as portas pra outros modos de ser, e isso parece óbvio. Mas vamos partir da sociedade falida que já temos, e eles já estão na rua e no crime: um adolescente nessas condições não fica impune. Desde os 12 anos ele é recluso, só que em sistema diferente. E acredito profundamente que eles precisam ter o direito a esse outro formato de reclusão para que se aponte para eles outras perspectivas, e não no meio de adultos diplomados no crime onde vão aprender a ser cada vez mais perigosos, porque não há nada diferente disso na cadeia. E uma hora eles saem (ainda que, por vezes, muito depois de já terem cumprido suas penas, num sistema lotado e falido que não dá conta dos próprios processos). E não saem de lá pra estudar e trabalhar. Né?
O crime é uma escolha? Tá aí o Eduardo Cunha, por exemplo, nos provando que pode ser que sim. Criminoso, defendendo seus interesses por meio de uma manobra inconstitucional - e em nome de deus. O ser humano sabe ser peverso também. E olha que provavelmente o Cunha nunca passou fome, nem foi discriminado, nem nunca deve ter sido agredido pela polícia nem visto parentes e amigos serem mortos "a priori" (tipo: atira e depois pergunta). E que bandido feroz ele se tornou. Mas, voltando à população à qual essa medida se dirige prioritariamente, nada me convence de que a sociedade é feita para todos e que a índole é que define os rumos de qualquer cidadão.
Se vivêssemos numa sociedade não-excludente essa discussão nem seria necessária, porque a criminalidade existente por conta dos seres "naturalmente perversos" seria provavelmente muito específica. Uma vez que não é assim, se quiséssemos realmente diminuir a violência (e não aprovar uma medida para estimular o lucro com a construção de presídios), os programas de reabilitação existiriam de fato (para adolescentes e adultos) - e acreditaríamos que essa reabilitação é possível. Se não vivêssemos num mundo racista e discriminador, o genocídio que acontece nas periferias seria uma aberração. Quer dizer, é uma aberração. Mas uma aberração que está naturalizada e às vezes ainda aparece com cara de justiça. Nada pior. Quantas vezes já ouvi adolescente dizer que, quando crescer, quer ser policial (ou bandido) pra poder mandar em tudo e todos? E não é porque viram filme de ação. É porque veem isso nas suas ruas, nas suas casas. A reprodução do comportamento de poder e repressão é séria, muito séria. Quem vive ou convive nas quebradas das cidades sabe que por lá a polícia já mata sem precisar do aval da lei. Impera uma espécie de autorização tácita para matar. Nascer imerso na violência é uma forma de se construir o mundo. Não dá mais pra fingir que não vemos isso.
Além disso, não duvido que a porcentagem de menores que cometem crimes hediondos vá subitamente "aumentar" pelos crimes forjados, nos testemunhos que afirmarão que "sim, foi esse daí", e mesmo a falta de necessidade de testemunhos e certezas, porque é mais um moleque "preto, pobre e vagabundo" que por via das dúvidas a gente já isola da sociedade. Já encarcera mais cedo e vai limpando a rua dessa gente. Armas e drogas plantadas pela polícia tem aos montes. Adoraria que fosse chavão ou exagero, mas não é. Fora o aliciamento de menores ainda menores pelos criminosos que os usam como ponta de lança. Tragédia.
E então surgem os comentários lugar-comum: "ah, você acha que eles são 'coitadinhos', 'indefesos"'. Não acho e não gosto dessa ironia. Eles aprenderam a ser bandidos e cabe à sociedade pagar sua dívida escravocrata em busca do contrário, ao invés de clamar para que se acomodem em condições miseráveis. Esse pagamento vai no sentido de propiciar uma sociedade (utópica?) revolucionária. Que comece pela extinção da miséria e dos preconceitos todos, pela extinção da fome, por educação e saúde não sucateadas e que passe pela reabilitação no crime, também.
Talvez o congresso, reacionário como está, aprove mais essa manobra porque pode estar interessado em muitas coisas, mas nenhuma delas se alinha de fato com a diminuição da violência. Se isso acontecer saberemos os frutos, e será um desastre considerável que tenhamos que pagar pra ver. Não torço por isso, prefiro ficar sem as provas concretas de que esta será uma contribuição para agravar o que já está sério demais.
Desejo aos menores que já existem, e aos menores que ainda vão nascer, e aos menores que já são maiores, um mundo onde possamos olhar uns para os outros, ao invés de nos escondermos.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Ódio plantado por quem sabe exatamente o porquê de fazer isso. Ódio alastrado como uma grande campanha publicitária muito bem arquitetada, convencendo multidões. Acredite que é pra diminuir a violência. Acredite que foi deus quem disse. Acredite que existem aqueles que nasceram mauzinhos (desde que sejam os outros, e não exatamente esses: os espalhadores do ódio). Acredite que quem se esforça é recompensado porque o mundo é um lugar lindo e justo, com espaço pra todos os bons cidadãos. Enquanto tanta gente acredita, uns tantos espertos-sem-caráter vão engordando suas contas, seus acordos e seus poderes sujos por tanta crença infundada, distorcida, tanta compreensão torta, tanta fraude assassina.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
luz na camada mais subterrânea, tão óbvia, tão constituinte da nossa matériapaíspessoasrelações, e tão moravanumlugarquepareciaentendidamasnemsempreé. Gente é complexidade, e foi n'algum lugar fundo, e verter água também é um modo de existir. Em meio a equívocos de todos os lados a questão é quem, afinal, delimitou os contornos da verdade. Que somos filhos de uma história, é tão inegável quanto estabelecido quanto imperceptível (pra quem?) quando sempre foi assim. Trata-se então de discutir mobilidade. De pensamento, em primeiro lugar.
terça-feira, 9 de junho de 2015
E aí que no mesmo dia correm as notícias de que o Zé Celso está sendo processado e pode ser preso por fazer uma crítica ao autoritarismo, e a travesti na cruz é massacrada por uma suposta blasfêmia que ninguém enxerga nas chacinas da vida real. E o pensamento crítico jogado no ralo porque ir a fundo nas discussões sobre opressão, massacre, preconceito, dominação e genocídio dá trabalho demais pro senso comum acostumado às grandes verdades congeladas e tão distantes da vida além da televisão. É que pensar sobre as verdades outras, plurais, por meio de metáforas ou não-metáforas, é território proibido pros pensamentos que querem permanecer imóveis e centrados nos seus umbigos normatizados.
Queria eu que Jesus, o homem, estivesse vivo e presente pra explicar pra sociedade contemporânea um pouco que fosse sobre o conceito de humanidade. Estamos em 2015. Mas isso repetidamente não tem feito a menor diferença.
Queria eu que Jesus, o homem, estivesse vivo e presente pra explicar pra sociedade contemporânea um pouco que fosse sobre o conceito de humanidade. Estamos em 2015. Mas isso repetidamente não tem feito a menor diferença.
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