quarta-feira, 8 de julho de 2015

O primeiro silêncio foi encontro. O segundo silêncio foi contato. O terceiro silêncio foi surpresa. O silêncio seguinte foi conexão. O outro silêncio foi latejo. O silêncio então foi incandescência. O silêncio depois foi espanto. O ... foi lacuna. O próximo silêncio não se sabe; este está mudo.
   

domingo, 5 de julho de 2015

Respeito, mesmo, o susto de todos os que já foram agredidos por menores (ou maiores) de idade. Respeito o luto dos que viveram perdas definitivas por conta de que tipo de violência for, inclusive pelas mãos desses menores. Mas respeito em escala imensurável o luto dos que perderam seus menores nas periferias, e como são muitas essas perdas, e tantas, e muitas mais, e quantas gratuitas. Mas estas não aparecem quando se discute a redução da maioridade penal, e enquanto não se admitir que esse tipo de criminalidade é uma questão social, não sairemos do lugar. Ou melhor, sairemos, rumo a um país cada vez mais violento, racista e discriminador.

Uma das grandes confusões que se faz nessa discussão é achar que quem é contra a redução "defende a impunidade". É o contrário. Impune é a sociedade que permite tamanho desamparo. Não adianta pensar que "querer é poder", simplesmente porque o mundo capitalista é construído para a desigualdade. Não há como todos terem as mesmas condições, porque o lucro de um depende da exploração do outro. Simples assim: é o capital quem manda, e em nome dele vale tudo. Há quem manda e quem obedece, há quem pode estudar e quem não pode, há quem come e quem passa fome, há quem tem o direito de viver dignamente e quem tem o dever de aceitar que seu esforço e seu trabalho valem menos (muito menos), porque afinal, a vida é assim mesmo.

Estão, ou vem das periferias, muitas das principais pessoas com as quais eu convivo, amo e/ou admiro (seja pelo contato direto ou por saber da sua militância) e eu seria no mínimo ignorante e preconceituosa se achasse que essa não é uma realidade possível. Aliás, é nessa força que eu acredito e confio em primeiro lugar e é por essa potência que eu escrevo. Várias dessas histórias ainda se reforçam justamente por conta das possibilidades (dizer o óbvio) de educação e cultura, e de convívio, e de reflexão e senso crítico por diversos caminhos, e de expressão e empoderamento (especialmente por iniciativa popular). E há histórias, inclusive, de reabilitação e ressocialização sem as quais várias trajetórias teriam sido diferentes. E é justamente por saber que é assim que continuo acreditando que o rumo a ser tomado precisa ser outro, diferente da escola de bandidagem que é o sistema carcerário tal como se apresenta.

No entanto, está posto que no mundo em que vivemos não há (e isso há séculos) espaço para todos os que "querem escolher". Não ter espaço inclui não ter inclusive a perspectiva de que esse espaço possa existir, ou ser alargado, ou ser conquistado por direito. Principalmente quando ele é subtraído desde o nascimento.

E aí isso significa que todas as ações estão justificadas, e que jovens que cometem crimes devem ficar impunes e livres pra continuar reproduzindo esse comportamento? Não. Em primeiro lugar eles deveriam era ter uma vida que abrisse as portas pra outros modos de ser, e isso parece óbvio. Mas vamos partir da sociedade falida que já temos, e eles já estão na rua e no crime: um adolescente nessas condições não fica impune. Desde os 12 anos ele é recluso, só que em sistema diferente. E acredito profundamente que eles precisam ter o direito a esse outro formato de reclusão para que se aponte para eles outras perspectivas, e não no meio de adultos diplomados no crime onde vão aprender a ser cada vez mais perigosos, porque não há nada diferente disso na cadeia. E uma hora eles saem (ainda que, por vezes, muito depois de já terem cumprido suas penas, num sistema lotado e falido que não dá conta dos próprios processos). E não saem de lá pra estudar e trabalhar. Né?

O crime é uma escolha? Tá aí o Eduardo Cunha, por exemplo, nos provando que pode ser que sim. Criminoso, defendendo seus interesses por meio de uma manobra inconstitucional - e em nome de deus. O ser humano sabe ser peverso também. E olha que provavelmente o Cunha nunca passou fome, nem foi discriminado, nem nunca deve ter sido agredido pela polícia nem visto parentes e amigos serem mortos "a priori" (tipo: atira e depois pergunta). E que bandido feroz ele se tornou. Mas, voltando à população à qual essa medida se dirige prioritariamente, nada me convence de que a sociedade é feita para todos e que a índole é que define os rumos de qualquer cidadão.

Se vivêssemos numa sociedade não-excludente essa discussão nem seria necessária, porque a criminalidade existente por conta dos seres "naturalmente perversos" seria provavelmente muito específica. Uma vez que não é assim, se quiséssemos realmente diminuir a violência (e não aprovar uma medida para estimular o lucro com a construção de presídios), os programas de reabilitação existiriam de fato (para adolescentes e adultos) - e acreditaríamos que essa reabilitação é possível. Se não vivêssemos num mundo racista e discriminador, o genocídio que acontece nas periferias seria uma aberração. Quer dizer, é uma aberração. Mas uma aberração que está naturalizada e às vezes ainda aparece com cara de justiça. Nada pior. Quantas vezes já ouvi adolescente dizer que, quando crescer, quer ser policial (ou bandido) pra poder mandar em tudo e todos? E não é porque viram filme de ação. É porque veem isso nas suas ruas, nas suas casas. A reprodução do comportamento de poder e repressão é séria, muito séria. Quem vive ou convive nas quebradas das cidades sabe que por lá a polícia já mata sem precisar do aval da lei. Impera uma espécie de autorização tácita para matar. Nascer imerso na violência é uma forma de se construir o mundo. Não dá mais pra fingir que não vemos isso.

Além disso, não duvido que a porcentagem de menores que cometem crimes hediondos vá subitamente "aumentar" pelos crimes forjados, nos testemunhos que afirmarão que "sim, foi esse daí", e mesmo a falta de necessidade de testemunhos e certezas, porque é mais um moleque "preto, pobre e vagabundo" que por via das dúvidas a gente já isola da sociedade. Já encarcera mais cedo e vai limpando a rua dessa gente. Armas e drogas plantadas pela polícia tem aos montes. Adoraria que fosse chavão ou exagero, mas não é. Fora o aliciamento de menores ainda menores pelos criminosos que os usam como ponta de lança. Tragédia.

E então surgem os comentários lugar-comum: "ah, você acha que eles são 'coitadinhos', 'indefesos"'. Não acho e não gosto dessa ironia. Eles aprenderam a ser bandidos e cabe à sociedade pagar sua dívida escravocrata em busca do contrário, ao invés de clamar para que se acomodem em condições miseráveis. Esse pagamento vai no sentido de propiciar uma sociedade (utópica?) revolucionária. Que comece pela extinção da miséria e dos preconceitos todos, pela extinção da fome, por educação e saúde não sucateadas e que passe pela reabilitação no crime, também.

Talvez o congresso, reacionário como está, aprove mais essa manobra porque pode estar interessado em muitas coisas, mas nenhuma delas se alinha de fato com a diminuição da violência. Se isso acontecer saberemos os frutos, e será um desastre considerável que tenhamos que pagar pra ver. Não torço por isso, prefiro ficar sem as provas concretas de que esta será uma contribuição para agravar o que já está sério demais.

Desejo aos menores que já existem, e aos menores que ainda vão nascer, e aos menores que já são maiores, um mundo onde possamos olhar uns para os outros, ao invés de nos escondermos.
     

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Ódio plantado por quem sabe exatamente o porquê de fazer isso. Ódio alastrado como uma grande campanha publicitária muito bem arquitetada, convencendo multidões. Acredite que é pra diminuir a violência. Acredite que foi deus quem disse. Acredite que existem aqueles que nasceram mauzinhos (desde que sejam os outros, e não exatamente esses: os espalhadores do ódio). Acredite que quem se esforça é recompensado porque o mundo é um lugar lindo e justo, com espaço pra todos os bons cidadãos. Enquanto tanta gente acredita, uns tantos espertos-sem-caráter vão engordando suas contas, seus acordos e seus poderes sujos por tanta crença infundada, distorcida, tanta compreensão torta, tanta fraude assassina.
 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Meu corpo é vibração. Ausência no profundo do sangue, que corre esvaziado de alguma microparticulaessencial que procuro todos os dias em lugares que não sei. Por um sentir-me-sempre-o-tempo-inteiro, sou sensação que se impõe em estado intermitente de avisar: isso. Quando pequenos pulsos diários, os olhos percebem o mundo como cenas estroboscópicas só minhas iluminadas por contrações involuntárias. É estar paralela e transversal enquanto as partes caminham pra dentro em impulsos de descordenação. Meu corpo que eu sou obedece àquilo que nóseuele não entendemos. O que se arranca leva junto raízes essenciais. Cabe reconstrução.
 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

malabarismos de ar no farol, os olhos de uns sete anos, viu o que eu fiz? vi, você tá imaginando? não, elas são invisíveis, olha (num instante-palavra-gesto ela soube me contar que o que é invisível existe), e repete, gesto ágil olho atento, sim, to vendo, !!!você viu, tia?!! e começava e parava porque essa concretude quem sabia era ela, e sorria muito, como se não fosse na rua, me olhava, porque era na rua, sorria talvez; ela entendia tão bem seu estar visível-absurdo-invisível, tia, você tem água?, e abriu o farol, e a avenida em mim em seguida desabou.
 

terça-feira, 23 de junho de 2015

quarta-feira, 17 de junho de 2015

luz na camada mais subterrânea, tão óbvia, tão constituinte da nossa matériapaíspessoasrelações, e tão moravanumlugarquepareciaentendidamasnemsempreé. Gente é complexidade, e foi n'algum lugar fundo, e verter água também é um modo de existir. Em meio a equívocos de todos os lados a questão é quem, afinal, delimitou os contornos da verdade. Que somos filhos de uma história, é tão inegável quanto estabelecido quanto imperceptível (pra quem?) quando sempre foi assim. Trata-se então de discutir mobilidade. De pensamento, em primeiro lugar.
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

E aí que no mesmo dia correm as notícias de que o Zé Celso está sendo processado e pode ser preso por fazer uma crítica ao autoritarismo, e a travesti na cruz é massacrada por uma suposta blasfêmia que ninguém enxerga nas chacinas da vida real. E o pensamento crítico jogado no ralo porque ir a fundo nas discussões sobre opressão, massacre, preconceito, dominação e genocídio dá trabalho demais pro senso comum acostumado às grandes verdades congeladas e tão distantes da vida além da televisão. É que pensar sobre as verdades outras, plurais, por meio de metáforas ou não-metáforas, é território proibido pros pensamentos que querem permanecer imóveis e centrados nos seus umbigos normatizados.
Queria eu que Jesus, o homem, estivesse vivo e presente pra explicar pra sociedade contemporânea um pouco que fosse sobre o conceito de humanidade. Estamos em 2015. Mas isso repetidamente não tem feito a menor diferença.
   

segunda-feira, 8 de junho de 2015

No dia em que fui maior que eu, eu não coube. Fui ocupar o espaço. Os respiros eram todos acelerados, projetados nos cansaços que compartilhamos. Eu era transparente inteira, revelada em parte, espontânea toda, disparada ainda, enlaçada desde dentro. Nesse dia em que cada hora durou um minuto, eu torcia por um tempo looping que girasse lento ou rápido, mas na espiral daqui, onde estivemos sempre. Ouvia, desperta de sono e euforia, teus sons de sonho, teus sons de abraço, nossos sons de laço. No dia em que fui maior que eu, fomos juntos, e coube a nós cabermos, e ainda, em nós.
 

domingo, 7 de junho de 2015

O tempo é suspenso nessa cronologia redesorganizada como tudo. Etérea terra tingindo silêncios cheios. Eu digo palavras minhas e tuas com a intimidade profunda de quem não conhece mas adivinha, que adivinhar é como saber além. As coisas são.
 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

aos olhos que não são olhados nunca, ou tão breve que como se não, pelos diálogos improváveis como somos todos nós, nos dedos que atravessam a janela, no aceno como toque, da porta pra fora, dos ônibus pra dentro, nas misérias todas escancaradas - gigantescas existências, nas imposições dos tempos, em escadarias de ordem, e desordem, pelos risos de outras compreensões, nas cabeças que se encostam pra, no concreto de terra e odor, nos pequenos saltos que pulsam pedra pêndulo, e então que trabalhamos cada qual em cada ofício em cada espaço-o-mesmo, e então que é a rua quem dança em nós.
 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Hoje é o dia da dança, muito mesmo a comemorar. Mas hoje foi também dia de guerra no Paraná e aí foi tão forte que o fascismo das ruas se sobressaiu aos palcos, às salas de ensaio, às criações. Hoje foi ainda dia de manifesto em São Paulo porque o mesmo Governo do Estado que nega a greve dos professores (e explode por aqui também a sua polícia quando convém) nega a produção, o estudo e o acesso à Cultura. Corta milhões de reais destinados a editais, Oficinas Culturais e projetos de formação.
Então os caminhos se cruzaram entre dança guerra abuso barbárie ensaio ficção repressão horror tropa de choque reacionarismo camburão cena polícia gás de pimenta bala de borracha manifesto moto-contínuo.
Que a arte e a educação sejam batalhas também, que é com as armas-corpos-e-cabeças-pensantes-criadores-transgressores que explodiremos a favor de um mundo com um pouco mais de decência.

http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/violencia-da-pm-deixa-mais-de-cem-feridos-no-parana-6622.html
   

domingo, 26 de abril de 2015

o que não se explica é porque já, porque isso, porque os atravessamentos tem som de susto. Entre o meio longe meio perto meio irreal, tem gente. Os sons que (não) se ouvem, vazam.
 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Hoje faz seis meses que há seis meses achei que hoje seria uma conclusão, essa que não é, que talvez seja o meio, que talvez um pouco menos, um pouco mais, um pouco sempre, um pouco de muito ar e paciência e cuidado, um tanto de querer saber o que, e por que, um tanto de movimento, e respiro por um tanto de tempo próprio, do próprio tempo.
 

terça-feira, 7 de abril de 2015

domingo, 29 de março de 2015

habito a ansiedade que me habita, que mora no corpo que sou, no corpo que mora em mim, que moro nele, que sentimos um ao outro - mesmos -, que escancaramos os próprios tempos, os tempos que ele e eu, que somos uns sós, não controlamos.
   

quinta-feira, 26 de março de 2015

sábado, 14 de março de 2015

E aí que eu começo a ler agora uma galera dizendo que a manifestação de ontem, como aconteceu numa sexta-feira, foi feita por... vagabundos!! Que tinham que estar trabalhando ao invés de estar nas ruas. Nossa, mas de quanto vagabundo é feito o Brasil, hem? Quantos 50, 80 ou 100 mil professores vagabundos, artistas vagabundos, autônomos vagabundos, estudantes vagabundos, operários vagabundos (esses, então, nem se fala!!), que tiraram um diazinho de folga pra fazer carnaval na avenida, né? Isso em São Paulo, fora o resto da vagabundagem no resto do país. Ai, gente, não, né? Crítica política se discute. Mas preconceito não é embate, é ignorância. Aliás, pra aliviar o incômodo dessa galera: que tal fazer greve nas férias, por exemplo? Ou se manifestar lá no sambódromo? Assim fica bem invisível e não atrapalha a ordem e a vida de ninguém, né?
(contém doses fortes de ironia, caso alguém se confunda)
 

quarta-feira, 4 de março de 2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Daí que o tempo, que eu pensava que sabia, pensava que cabia, pensava que éramos, ele e eu, simétricos, me diz que é impressão. Impressa nele, eu, fundida, parte no todo, sutil, quase invisível, quase fenda. E ele-tempo atrás e diante, adiante, já, gigante, ele-tempo rima própria de boca enorme e fluxo-ímpeto. Mas, ainda que fresta, eu imprescindível: daquilo que percebo é feito ele, ao mesmo tempo largo e dilatado e urgente em mim. Ele e eu da importância de tudo o que não cabe. Ele não sabe, mas o tempo também não cabe em si.
 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

dos múltiplos, simultâneos, do que passa tão depressa que já correram dois anos em mês e meio, do que é coisa lenta pras aberturas fecharem, que diz alguma coisa até quando não se ouve ou que não diz nada só é, em que água custa caro quando tem, em que se decide sobre o corpo alheio, sobre o amor alheio, que absolve assassino de elite, em que aborto não é opção, comer não é opção, morar ler dançar cantar querer não são opção, em que cirurgião corta, não cuida, em que diagnóstico não identificado não interessa, que fala, que cala, consente, rebate, que quer seguir ao contrário pra estender pra entender, que abandona, surpreende, escancara, equilibra, que cria encontros, que faz caminhos, ciclos, tontos, tortos, lindos, diálogos, discursos, suores, agulhas, compressas, tremores, ares, que põe à prova todas as provas, que ri, que faz sentido, que mexe no corpo, que empurra pra ação, que dá vontade de ouvir, de ver, dá curiosidade, que amedronta, que faz querer muito, e muito, e muito, e muito, que brota que gera que cria, que cicatriza e(é) marca, em que tem tanta, tanta beleza e tanto contrário.
 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Chove muito, o som da janela avisa que meu time faz gol, o Alckmin me dá asco, as madrugadas são longas, escrever às vezes dói - inclusive literalmente.
 
que passem ventos pelas portas abertas.
 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

criança que ri homem que foge um que reclama moço que assusta nova velha anão cadeirante bêbado braço cruzado olhos abertos cadeira gargalhada chão ao contrário trem apertado espaço aberto as peles sorriso sortido mãe vó tio filho grupo ignora apaixona passa enquanto espera enquanto passa entra sai jogo inteiro.
 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

silêncio quando som
silencioso som só sem nada
silêncio só
sou sim somos som
sei
 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

"Todo abismo é navegável a barquinhos de papel" (G. Rosa), tanto quanto "Poesia é voar fora da asa" (M. de Barros). Dos presentes que se ganha quando o público também diz.
 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Minha tartarugA, que quando já tinha uns 10 anos descobri que era um tartarugO, acaba de botar um ovo gigante e comê-lo em seguida, o que me faz voltar a pensar que é mesmo uma tartarugA. Viva Esmeralda desafiando constantemente a definição de gênero!!
 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Que quando o corpo precisa voltar parece que vai saltar em inúmeras estranhezas.
 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Estado de São Paulo chancelou o reacionarismo com honra ao mérito. Não que eu esperasse diferente. Mas quando a coisa se confirma tem aspecto de filme de terror.
   

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Como certa nostalgia do um-só. Profusão de tanto, dias longos, ruidosos. Anonimato em olhos íntimos. Repetidamente essa imagem das paredes-quais-forem se dissolverem tão mais rápido do que se erguem. Um espaço que é sempre ficção tanto quanto sempre não é. Suor quando assim, tem cor. E aí suspensão. Pausa que segue respirando.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

da matemática avessa moto-contínuo, da preservação do latifúndio urbano, da lógica reacionária repressora opressora, do chefe lívido imundo de sangue fumaça e abuso, da polícia alienada, da perversidade atrocidade truculência e os sinônimos insuficientes, da explosão alheia do outro-si-mesmo, do transbordamento da estupidez humana.
   

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Ele no metrô, com cara de 60: - tenho 80 anos! Tem que trabalhar, se não, fica velho. Eu sou só idoso. -
 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

hoje aclimação nostálgica, de saudades antigas, de coisa de criança, cachorro e canário, de bairro de avós, bicicleta e lago de abacate, no tempo que voltou com jeito de um susto, como quem escapa e diz que o que foi não deixa mais de ser.
   

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ansiosa, baqueio como diluído enlace, feito gesto. Hoje intuo já linhas muitas, nonsenses, obcecadas, percebendo quase ridiculamente situações tensas, únicas, vidradas. Xaropes ziguezagueantes.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Uma a uma sobrepõem-se pétalas, galhos abraçados, cores trabalhadas em tessituras de olhar, falando do encontro por todas as madrugadas. Os olhos dorm'escapam, como quem diz senta aqui que eu tenho uma história pra você, ouve. Aduba o tempo de dentro do desejo até chegar. Nesse canal de florescer pulmões brota uma estrada para ninar as palavras que tem forma de gente.
 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Deixa vazar compulsivamente toda lacuna desse espaço contrário, tempo ágil, abrigo solto.
 

terça-feira, 1 de julho de 2014

longe já sabia há tempos mas aquela mania que encolhia de ver distante o que não era tanto alguma terra de outro som das gentes de outro jeito e a mesma lua antecipa as montanhas para olhares fundos em cores - dentro de pressas calmas urgências, poesias palavras corpos e batismos de nascer.
   

domingo, 22 de junho de 2014

O meu amor é acolhimento e ar, para que a distância seja inversamente proporcional ao laço.
 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

quando quase bom, mas quando pior, porque. quando quase pior, mas quando bom, porque música.
 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

 
Todo apoio à greve que reforça que o poder de parar a cidade está nas mãos de quem trabalha todos os dias para fazê-la andar. Não que isso não seja sabido, há tempos, inclusive pelo nosso excelentíssimo governador. Mas é sempre bom que o caos faça lembrar.
 

sábado, 31 de maio de 2014

   
Como se ninguém soubesse o que se passa. Como se fosse outro dia da semana. Como se a regra (regra?) fosse mais importante do que tudo. Os sons ganham um certo emudecimento, ar de ficção, de irrealidade. Eu ganho uma certa solidão. E recortes de imagem enquadram-se por si só, pedindo registros.
Quase que em uma outra dimensão, a cidade que fala durante o meu silêncio é maior e um pouco destacada de mim.
 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

quarta-feira, 21 de maio de 2014

domingo, 27 de abril de 2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

se não fosse impulso contido, porção minúscula de água espreitando na borda, essência de gente olhando pra algum lugar, um espaço feito tela, um espaço feito projeção, feito desejo, feito pulso, feito incógnita, feito ar - que falta, seria outro dia.
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

sábado, 29 de março de 2014