quinta-feira, 6 de março de 2014

Hoje, tarde, um vendedor ambulante perseguido por dois policiais, alcançado, jogado de frente para uma parede, a 10 metros de mim. Hoje o vendedor estraçalhou no chão todos os óculos de cabeça pra baixo, como: em cima disso vocês não levam nada. Hoje o mesmo vendedor lançado com insistência na parede enquanto mostrava os documentos. Hoje a joelhada de um interrompeu-se no ar, a mão do outro preparou o cacetete. Hoje, noite, dois policiais outros-como-se-os-mesmos, na esquina, agrediam um homem bêbado. Hoje um homem era acuado pelos dois policiais outros-como-se-os-mesmos por estar bêbado. Hoje outro homem bêbado fumava deitado na porta de um bar. Hoje a cabeça dele pra dentro, as pernas pra fora, os dedos pra cima olhando a fumaça. Tem dias como o de hoje, em que os ciclos espantosamente se completam.
   

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